Fonte CEPEA

Carregando cotações...

Ver cotações

Insumos

Soja brasileira transgênica

Variedade, resistente a herbicidas e de baixo impacto ambiental e financeiro, deve chegar ao campo até a safra 2010/11.

Os produtores brasileiros de soja poderão contar a partir da safra 2010/11 com sementes geneticamente modificadas (GM) resistentes a herbicidas e de baixo impacto ambiental e financeiro. A tecnologia inédita foi desenvolvida totalmente no Brasil pelos pesquisadores da Embrapa Soja e consumiu três anos de pesquisa. O gene utilizado na elaboração é do grupo químico das imidazolinonas, tornando as plantas resistentes a herbicidas daquele grupo. Conforme pesquisadores que participaram do processo, as moléculas utilizam apenas 14% da dosagem de defensivos necessária para o controle efetivo de pragas daninhas, o que diminui a agressão ao meio-ambiente e, por ser aplicado em pequenas concentrações, reduz o custo. Além disso, especialistas lembram que novas tecnologias GM para cultivo no campo restringem o surgimento de plantas daninhas resistentes aos herbicidas já utilizados.

O material genético utilizado na planta veio do banco de germoplasma da empresa química alemã Basf. Porém todo o processo de inserção do material, pesquisa, desenvolvimento e credenciamento nos órgãos reguladores foi feito por pesquisadores brasileiros. Carlos Arrabal Arias, pesquisador da Embrapa Soja, revela ainda que a descoberta do material fornecido pela companhia alemã também contou com participação de cientistas brasileiros. Ele ressaltou sobretudo a importância sustentável e econômica da nova varie-dade nacional. “Enquanto outros herbicidas tem 500g de principio ativo, o “imi” (apelido da soja brasileira) tem apenas 70 gramas. Além de ser 99% brasileira. Isso reduz o custo e o impacto dos produtos químicos no meio ambiente”. Ele lembrou ainda a importância da tecnologia para controle de plantas daninhas resistentes ao glifosato já utilizado nas lavouras.

O pedido de liberação comercial foi protocolado na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) em dezembro. Dessa maneira, a institui-ção tem prazo de um ano para avaliar a petição. Conforme explicou o pesquisador, são necessários pelo menos dois anos para as sementes serem comercializadas. “Depois de liberada, precisa ser avaliado qual variedade será utilizada. Sem contar o registro em cada estado, que também precisa de ensaios específicos para avaliação de comportamento dos insumos”. Por esse motivo, o pesquisador calcula que a tecnologia chegará na safra 2011. “A menos que a liberação avance muito rápido, o que acho um pouco difícil”. Hoje, a CTNBio estará reunida em Brasília para avaliar a liberação comercial de 12 Organismos Geneticamente Modificados (OGMs). Entre eles estão a soja da Embrapa, arroz tolerante a glufosinato de amônio, uma solicitação para variedade de algodão GM resistente a insetos, dois para soja modificada tolerante ao herbicida glufosinato de amônio, duas solicitações para milho resistente a insetos, além de cinco pedidos para liberação comercial de vacina de uso veterinário. Os membros da comissão também devem avaliar 26 novos pedidos para liberação planejada no meio ambiente (pesquisas).