
O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) confirmou, na última quinta-feira (15), a detecção do vírus da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP H5N1) em uma granja comercial localizada no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul. Este é o primeiro foco da doença registrado em produção comercial na história do Brasil.
O MAPA está implementando todas as medidas sanitárias necessárias para conter e erradicar o foco da IAAP, e intensificou a vigilância em criações de subsistência na região onde o foco foi identificado, em uma granja de matrizes de corte.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) destacou o trabalho de excelência no monitoramento da enfermidade, realizado pelo MAPA e pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) do Rio Grande do Sul, na identificação, comunicação e contenção do caso. A ABPA e a Associação Gaúcha de Avicultura (ASGAV) estão colaborando com o MAPA e a Seapi neste processo.
Todas as medidas necessárias para o controle da situação foram prontamente adotadas, e o quadro está sob controle e monitoramento dos órgãos governamentais. As ações de controle e combate à Influenza Aviária incluem a rápida identificação, testagem e cuidados sanitários com os casos suspeitos pelo Serviço Veterinário Oficial.
O Ministério da Agricultura declarou estado de emergência zoossanitária no município de Montenegro, com duração de 60 dias, através da Portaria 795 de 15 de maio de 2025, para agilizar as ações de resposta.
A ABPA informou que a entidade e todo o setor produtivo estão mobilizados para a rápida solução do problema, organizados em um comitê de crise denominado Grupo Especial de Prevenção à Influenza Aviária (GEPIA).
Medidas de Contenção em Curso
- Detecção e Notificação: Em 11 de maio de 2025, a empresa integradora notificou o Serviço Veterinário Oficial (SVO) sobre a ocorrência de mortalidade anormal de aves em uma granja comercial de galinhas reprodutoras. No dia 12 de maio, o SVO atendeu à suspeita e interditou o estabelecimento avícola.
- Diagnóstico: Em 13 de maio, o SVO coletou amostras e as encaminhou ao Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA) de Campinas/SP. Em 15 de maio, o LFDA emitiu relatório parcial confirmando a presença de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) no plantel. A doença causou mortalidade total no aviário 01 (100%) e 84% no aviário 02.
- Ações de Contenção: Em 16 de maio, as equipes iniciaram o sacrifício sanitário das aves sobreviventes (1.358 unidades), seguindo os protocolos sanitários. As carcaças, os ninhos, a cama contaminada e outros materiais orgânicos foram removidos pelas equipes. As autoridades determinaram o descarte total dos ovos férteis armazenados no incubatório da empresa, localizado em Soledade/RS, com conclusão prevista para 18 de maio.
- Desinfecção: O SVO iniciou o processo de desinfecção da granja em 17 de maio, seguindo os protocolos de biosseguridade.
- Barreiras Sanitárias e Vigilância: Desde 16 de maio, foram estabelecidas zonas de contenção, com a instalação de 1 bloqueio e 2 barreiras sanitárias no Perifoco (raio de 3 km) e a ativação de mais 2 barreiras na Zona de Vigilância (3 a 10 km). As equipes realizaram vigilância ativa, vistoriando 27 propriedades de subsistência (90% do total) no Perifoco e 67 propriedades (13%) e uma granja de recria na Zona de Vigilância.
- Mobilização de Equipes: Um total de 116 profissionais foram mobilizados pelo SVO para atender à ocorrência, incluindo 59 servidores da SEAPI, 2 servidores do MAPA, 5 profissionais da Prefeitura de Montenegro e 50 agentes da Brigada Militar.
- Ação Educativa: A PATRAM (Patrulha Ambiental da Brigada Militar) recebeu treinamento para apoiar as ações de vigilância e contenção sanitária.
- Monitoramento e Alerta: Novas amostras foram coletadas em aves de subsistência e encaminhadas para diagnóstico laboratorial. A SEAPI reforçou a orientação para que os produtores notifiquem imediatamente qualquer ocorrência de sinais clínicos compatíveis com IAAP, através dos canais institucionais disponíveis.
Medidas de Rastreabilidade e Sanitárias Aplicadas aos Ovos
Após a confirmação do foco de IAAP na granja em Montenegro/RS, o Mapa identificou e rastreou os destinos dos ovos para incubação provenientes dessa unidade, que foram distribuídos para incubatórios em Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul. Em conformidade com o Plano de Contingência para Influenza Aviária e Doença de Newcastle, o Mapa orientou os incubatórios receptores a adotarem medidas de saneamento rigorosas, incluindo a destruição dos ovos provenientes da granja afetada, como medida preventiva. O Mapa esclareceu que não há evidências de que os ovos estejam contaminados com o vírus da gripe aviária, mas as medidas foram adotadas por precaução.
O que é Gripe Aviária?
A Influenza Aviária é uma doença viral que afeta principalmente as aves, incluindo aves silvestres, domésticas e de produção, e também mamíferos. O vírus é eliminado nas fezes e secreções respiratórias das aves infectadas, e a transmissão ocorre pelo contato direto com essas secreções, especialmente fezes, ou através de alimentos e água contaminados.
As infecções por influenza em aves são divididas em dois grupos com base em sua patogenicidade:
- Influenza aviária altamente patogênica (HPAI): dissemina-se rapidamente, causando doença grave com alta mortalidade nas aves (até 100% em 48 horas).
- Influenza aviária de baixa patogenicidade (LPAI): geralmente é uma doença leve, com impactos menos severos para o animal.
A Gripe Aviária Afeta Humanos?
A contaminação de humanos pela gripe aviária é extremamente rara e geralmente está relacionada ao contato direto com aves infectadas, conforme atestado por órgãos internacionais de saúde animal e humana, como OMS, FAO, USDA e OMSA.
A Gripe Aviária Afeta Produtos?
O consumo de carne de aves e ovos manipulados e preparados apropriadamente é totalmente seguro. As recomendações aos consumidores são as mesmas de sempre: manter práticas normais de higiene pessoal, dos utensílios e dos alimentos, e cozinhar bem os produtos. A ABPA esclarece que qualquer ave infectada é descartada ainda na granja, para conter a propagação do vírus para outras aves.
Quem Lidera o Enfrentamento da Situação?
O MAPA e a Seapi estão à frente das ações de monitoramento e contingenciamento, com o apoio da estrutura das agências de defesa de todos os estados brasileiros. O MAPA possui um Plano de Vigilância para Influenza Aviária e Doença de Newcastle, que visa a prevenção da infecção e a manutenção do país livre dessas enfermidades, de notificação obrigatória à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). Desde o início da crise global de Influenza Aviária, o Ministério e as Secretarias dos Estados vinham se preparando para uma eventual ocorrência.
No âmbito privado, a liderança é exercida pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), por meio do Grupo Especial de Prevenção à Influenza Aviária (GEPIA), que reúne técnicos e lideranças das agroindústrias do setor.
Ações da ABPA no Gerenciamento da Crise:
- Instalação de um comitê de crise, com base em São Paulo e no Distrito Federal, para contato direto com o comitê de crise do MAPA e com lideranças das agroindústrias e empresas do setor.
- Comunicação interna com os associados, incluindo conferências periódicas e distribuição de comunicados com informações gerais, orientações e explicações sobre o baixo risco de contágio por humanos.
- Alinhamento estratégico com representantes do governo para o enfrentamento e monitoramento da situação, distribuição de informativo para autoridades e alinhamento com outras entidades do agronegócio.
- Distribuição de comunicado (statement) para stakeholders nacionais e internacionais, incluindo imprensa, clientes, ONGs, associações e órgãos de consumidores, autoridades do Executivo e Legislativo.
- Início de campanha de esclarecimento, com ações nas redes sociais, vídeos, cards e um hotsite voltado para o consumidor (https://brasillivredeia.com.br/).
As Exportações Serão Suspensas?
Alguns mercados importadores impõem restrições temporárias após a identificação de IAAP no território brasileiro. As autoridades sanitárias do Brasil (MAPA) e dos países importadores estão realizando alinhamentos sobre a possibilidade de implementar restrições conforme a região definida nos acordos bilaterais. Até o momento, dos 150 mercados de destino das exportações brasileiras, 14 suspenderam as importações de carne de aves em natureza de todo o Brasil.
Ações de Prevenção
Os setores público e privado estão realizando uma ampla campanha de conscientização sobre a importância das medidas de biosseguridade e da rápida informação às autoridades sanitárias em caso de identificação de algum foco. O Ministério da Agricultura lançou a campanha “Influenza Aviária? Aqui não”, com uma ampla estratégia de divulgação de informações (https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sanidade-animal-e-vegetal/saude-animal/programas-de-saude-animal/pnsa/influenza-aviaria).
O setor privado, liderado pela ABPA e suas associadas no âmbito do GEPIA, também realiza uma intensa campanha junto aos diversos elos do setor produtivo. O tema tem sido amplamente divulgado na imprensa nacional, sensibilizando a sociedade sobre a importância de ações rápidas de mitigação.
A notificação do primeiro foco de IAPP em granja comercial reforça o compromisso do setor com a aplicação reforçada das medidas de biosseguridade.
Medidas de Contingenciamento
Os setores público e privado enfatizam a importância da rapidez e transparência no processo de identificação de eventuais focos, para minimizar os impactos na cadeia produtiva e na produção de alimentos. O Ministério da Agricultura, as Secretarias Estaduais de Agricultura, a ABPA e as entidades estaduais estão trabalhando em conjunto, seguindo planos de ação já estabelecidos. A ABPA mantém atualizado um plano de contingenciamento com múltiplas responsabilidades, orientando ações nas diversas esferas envolvendo a entidade nacional, entidade estadual, empresas e cooperativas do setor. Simulados de enfrentamento de enfermidades foram realizados, e há um trabalho constante de treinamento e orientação sobre as medidas a serem adotadas, incluindo o abate sanitário no foco e o controle da circulação de veículos de transporte de animais e rações no raio de 10 quilômetros.











