
As doenças respiratórias são extremamente comuns na suinocultura intensiva devido a dois fatores principais: a maneira como os suínos são criados, com uma grande quantidade de animais nas granjas, o que facilita a disseminação de agentes infecciosos, e algumas características anatômicas do pulmão suíno, que dificultam a remoção de partículas das vias aéreas inferiores, aumentando o risco de infecções.
O controle eficiente das enfermidades respiratórias é crucial para a rentabilidade do negócio, tanto para a agroindústria quanto para os produtores. Se não forem devidamente controladas, essas doenças resultam em prejuízos devido a uma piora nos índices zootécnicos, condenações de carcaças, despesas com medicamentos e vacinas, além de comprometerem o bem-estar animal. Existem dados indicando que aproximadamente 50% das perdas por condenação de carcaças nos abatedouros resultam de lesões do aparelho respiratório (Coldebella et. al, 2018). Quanto ao impacto econômico nas granjas, estima-se uma perda de aproximadamente 1000 reais por fêmea alojada, anualmente (Boeters et al., 2023). Esses dados ilustram claramente a relevância de um controle adequado dessas enfermidades nas granjas para a sustentabilidade da produção.
Na suinocultura, a maioria das doenças respiratórias são multifatoriais, originadas pela combinação de agentes infecciosos com elementos ambientais e de manejo, conhecidos como fatores de risco. No Brasil, o Mycoplasma hyopneumoniae e o vírus influenza são os agentes infecciosos mais frequentes, atuando como agentes primários que predispõem os animais a infecções por bactérias oportunistas. O Actinobacillus pleuropneumoniae, outro agente primário de relevância, é uma das principais causas de lesões pulmonares que podem resultar em condenações de carcaças. Quanto aos microrganismos que desempenham majoritariamente um papel secundário, oportunista, destacam-se a Pasteurella multocida tipo A, Actinobacillus suis, Streptococcus suis, Glaesserella parasuis, entre outros. Com esta variedade de agentes infecciosos e a combinação de fatores de risco, o controle efetivo é mais eficiente ao adotar medidas específicas para os principais agentes infecciosos, além de medidas inespecíficas ligadas aos fatores de risco e aos aspectos de biosseguridade.
Os patógenos responsáveis por essas enfermidades são endêmicos na maioria das granjas, o que significa que os animais são portadores. As doenças só vão surgir em circunstâncias específicas, quando houver um desequilíbrio entre a resistência dos animais e a pressão de infecção na granja. Assim, os esforços para um controle efetivo devem se concentrar em garantir uma boa imunidade aos animais e em manter o nível de infecção baixo.
Medidas para controlar a pressão de infecção
Biosseguridade externa
A maioria dos novos agentes infecciosos que entram nas granjas são trazidos por suínos portadores saudáveis, portanto, é essencial prestar muita atenção aos animais de reposição nas granjas de produção de leitões. Nesse contexto, é importante usar uma única fonte confiável para fornecer os animais de reposição, sempre um produtor registrado como granja de reprodutores suínos certificada (GRSC), além de utilizar corretamente a quarentena antes de introduzir esses animais na granja. Já para os crechários e terminações, o ponto fundamental neste aspecto é a mistura de origens na formação dos lotes, quanto menos origens, melhor. A mistura de origens coloca em contato animais portadores de diferentes agentes infecciosos com animais não imunes a estes agentes, facilitando a contaminação cruzada e o surgimento de novas enfermidades.
Também são relevantes outros aspectos de biossegurança externa, como a separação clara entre área limpa (interna da granja) e área suja (externa), além do controle de acesso de pessoas e veículos à área interna. A proximidade de outras granjas de suínos e estradas por onde transitam suínos de outras propriedades representam risco para a introdução de agentes infecciosos e devem ser levados em conta, especialmente ao construir novas granjas.











