Entenda o impacto do estresse térmico e como o plano belga orienta produtores de suínos em climas quentes
Bélgica apresenta estratégia para reduzir o estresse térmico em suínos

Após anos de pesquisa, a região da Flandres, no norte da Bélgica, lançou um plano detalhado para ajudar produtores de suínos, transportadores e frigoríficos a enfrentarem os efeitos do calor extremo. O projeto, batizado de “Coolpigs”, consolida anos de estudos e testes práticos em um guia com medidas concretas para reduzir o estresse térmico em granjas e durante o transporte dos animais. As ações recomendadas também podem ser apoiadas financeiramente por meio de subsídios do Fundo de Investimento Agrícola da Flandres (VLIF).
O estresse térmico é um dos principais desafios enfrentados pela suinocultura em períodos de altas temperaturas. Durante os verões cada vez mais quentes na Europa, suínos e porcas em terminação sofrem com o calor, o que compromete o bem-estar, a saúde e o desempenho produtivo. Por terem baixa capacidade de transpiração e viverem em instalações pouco adaptadas ao calor, esses animais estão especialmente vulneráveis.
Para buscar soluções, o Instituto de Pesquisa Agrícola, Pesqueira e Alimentar da Flandres (ILVO) e a Universidade de Ghent conduziram, ao longo de quatro anos, experimentos no Campus Suíno e em propriedades comerciais. As pesquisas avaliaram estratégias práticas aplicadas tanto em condições naturais de verão quanto em ondas de calor simuladas em ambiente controlado.
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Os resultados mostraram que pequenas mudanças no manejo podem gerar grandes benefícios. A redução da densidade de alojamento, por exemplo, diminui o aumento da temperatura corporal dos suínos; adicionar vitaminas E, C e selênio orgânico à dieta reduz danos celulares e melhora o crescimento; e o uso de sistemas de pulverização de alta pressão pode baixar a temperatura dos estábulos em até 2,5°C, reduzindo a frequência respiratória dos animais em 8%.
Outras medidas eficazes incluem a instalação de ventiladores nas maternidades e a criação de entradas de ar em áreas sombreadas, capazes de reduzir a temperatura do ar em até 6°C. O plano ainda recomenda adaptar o manejo diário: movimentar ou vacinar os animais apenas nos períodos mais frescos, pintar paredes e tetos de branco e reorganizar os horários de transporte.
O projeto também destaca o uso do Índice de Temperatura e Umidade (ITU) como ferramenta de monitoramento. O indicador combina temperatura e umidade para avaliar o grau de desconforto térmico, fornecendo parâmetros que ajudam produtores a prever e minimizar os impactos do calor sobre o rebanho.





















