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Influenza Aviária

Avicultura sul-africana enfrenta nova ameaça de influenza aviária

Marcos Rubens | iStock.com
Marcos Rubens | iStock.com

A avicultura da África do Sul se prepara para enfrentar mais uma vez os impactos devastadores da Influenza Aviária Altamente Patogênica (GAAP), enquanto as autoridades ainda discutem a liberação de vacinas que poderiam proteger milhões de aves.

A chegada do inverno aumenta a preocupação entre os produtores, que ainda sentem os efeitos das perdas sofridas no ano passado.

À medida que o inverno se aproxima, a ameaça da GAAP ressurge como uma preocupação central para os avicultores sul-africanos.

Segundo a Associação Sul-Africana de Aves (SAPA), cerca de 10 milhões de aves foram perdidas no ano passado devido à GAAP, resultando na falência de pequenos agricultores e na destruição de meios de subsistência.

A SAPA destacou a incerteza enfrentada pelos agricultores em relação à vacinação de aves.

Até agora, nenhuma nova infecção por GAAP foi registrada desde janeiro, mas alguns produtores temem relatar casos suspeitos devido à possibilidade de abate de suas aves.

Vacinação e protocolos

Durante o último surto, duas variantes do vírus – H5N1 e H7N6 – causaram sérios danos.

Embora três vacinas contra o vírus H5 tenham sido aprovadas pelas autoridades nacionais, ainda não há autorização para vacinas contra o vírus H7.

As negociações com o Departamento de Agricultura, Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural (DALRR) para simplificar os protocolos de vacinação não chegaram a um consenso, e nenhuma fazenda recebeu aprovação para vacinar suas aves.

A SAPA aponta que até mesmo as maiores empresas avícolas do país enfrentam dificuldades para cumprir os rigorosos níveis de biossegurança exigidos para a aprovação da vacinação.

Com o pico de risco de infecção se aproximando, pode ser tarde demais para vacinar os rebanhos de aves.

Desde o início do último surto em abril do ano passado, a África do Sul confirmou 29 surtos do vírus H5N1.

A variante H7N6, detectada pela primeira vez em maio de 2023, afetou 114 instalações. No total, mais de 13 milhões de aves foram diretamente afetadas pelas duas variantes do vírus, incluindo aves domésticas e avestruzes em diversas províncias.

Recentemente, em abril, a Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH) relatou novos casos de GAAP H5 em aves selvagens no país.

A Universidade de Pretória aguarda aprovação para conduzir pesquisas sobre o H7N6, descrita como uma “estirpe de vírus exclusivamente sul-africana” responsável por significativas perdas no rebanho nacional no último ano.

Impactos

A Quantum Foods, uma das principais empresas avícolas da África do Sul, destacou em seu relatório financeiro do primeiro semestre de 2024 que a GAAP foi um fator operacional essencial.

Embora os impactos tenham sido menores comparados ao mesmo período do ano anterior, novos surtos nos últimos seis meses afetaram criações de poedeiras nas províncias do norte.

A empresa relatou que a receita caiu 13% no primeiro semestre, totalizando 3,01 bilhões de rands (US$ 160 milhões).

No entanto, o lucro operacional aumentou de 15 milhões de rands em 2023 para 62 milhões de rands em 2024, devido a preços mais baixos de alimentos para animais e menos problemas de fornecimento de energia.

A Quantum Foods teve que buscar fontes alternativas, incluindo importações, para manter o fornecimento de ovos de incubação, o que aumentou os custos.

Com um abate anual de 46 milhões de aves, a Quantum Foods está entre os dez maiores produtores de aves na África.

Fonte: Watt Poultry