
O governo do Irã determinou a abertura de uma investigação oficial sobre o futuro da raça híbrida Arian, utilizada na produção de frango no país, após estudos e manifestações do setor apontarem impactos negativos significativos sobre a rentabilidade da avicultura iraniana. A decisão ocorre em meio a críticas crescentes de produtores e especialistas, que questionam a obrigatoriedade do uso do cruzamento genético.
A determinação foi anunciada após uma reunião entre agricultores e o presidente iraniano na província de Qazvin. Na ocasião, produtores relataram que a imposição da raça Arian não apresenta viabilidade econômica, uma vez que o frango resultante possui cerca de 20% mais ossos e produtividade média aproximadamente 20% inferior à de outras linhagens comerciais amplamente utilizadas no mercado internacional.
Impacto econômico na produção de frango
De acordo com Ali Akbar Abdul Maleki, presidente da Câmara de Comércio de Sanandaj, o uso compulsório da raça Arian gera perdas estimadas em US$ 1,2 bilhão por ano para os avicultores iranianos. O cálculo, segundo ele, tem como base dados oficiais do Ministério da Jihad Agrícola.
Embora o governo justifique a adoção da raça híbrida como uma estratégia para reduzir custos e fortalecer a segurança alimentar, avaliações recentes indicam que os efeitos econômicos de longo prazo são desfavoráveis. Os custos de importação das matrizes, estimados entre US$ 20 milhões e US$ 25 milhões por ano, não têm sido compensados por ganhos de produtividade, o que compromete a eficiência do sistema produtivo.
Um fardo financeiro para as granjas
A baixa performance zootécnica da raça Arian é apontada como um dos principais fatores da crise enfrentada pela avicultura iraniana. Na província de Qazvin, por exemplo, existem 777 granjas de frango em operação, muitas delas próximas ao fechamento.
Segundo Maleki, a combinação entre produtividade reduzida da linhagem Arian e o elevado custo da ração no mercado aberto tem pressionado severamente as margens dos produtores. Ele destaca que a substituição por outras raças comerciais poderia permitir a recuperação das granjas, além de contribuir para a redução dos custos ao consumidor final.
Avaliação técnica e apoio de especialistas
A iniciativa de reavaliar a política de uso da raça Arian foi bem recebida por analistas e especialistas do setor avícola no Irã. Arsalan Jamshidi, analista independente, ressalta que o desenvolvimento de raças comerciais de frango em países como Estados Unidos, Holanda, Alemanha, França e Inglaterra é resultado de mais de um século de pesquisa científica contínua.
Em contraste, a raça Arian foi desenvolvida em 1993, sem o mesmo histórico de investimentos em melhoramento genético. Jamshidi destaca diferenças relevantes na conversão alimentar: enquanto linhagens internacionais apresentam índices entre 1,6 e 1,7, a raça Arian desperdiça entre 200 e 300 gramas de ração por quilo de frango vivo produzido. Em escala nacional, essa ineficiência representa perdas estimadas em cerca de US$ 700 milhões.
Pressão do setor produtivo
As críticas à política governamental não são recentes. Em maio de 2025, 93 avicultores enviaram uma carta aberta ao governo iraniano alertando que o uso obrigatório da raça Arian colocava em risco a sustentabilidade da produção de carne de frango no país. Os signatários representavam aproximadamente 30% da produção nacional.
Na ocasião, apesar do alerta, as autoridades mantiveram a exigência. Agora, com a abertura da investigação, o setor aguarda para saber se a reavaliação resultará em mudanças concretas na política de genética avícola do Irã.
Referência: Poultry World











