
Quase 130 mil ovos, mais de 100 mil frangos de corte e uma quantidade não especificada de ração foram apreendidos e destruídos em diferentes regiões da Moldávia após a detecção de níveis excessivos de metronidazol, antibiótico proibido na produção animal destinada à alimentação humana. A contaminação foi identificada durante uma inspeção de rotina conduzida pela Agência Nacional de Segurança Alimentar e Veterinária (ANSA).
Segundo a autoridade sanitária, pelo menos 17 inspeções adicionais foram realizadas em armazéns de ração, abatedouros e granjas de postura, o que permitiu rastrear a origem da substância até ração animal importada da Ucrânia. Até o momento, não há confirmação oficial se produtos contaminados chegaram a ser consumidos pela população.
Veículos de imprensa locais relataram críticas à atuação da ANSA. De acordo com o jornal The Telegraph, consumidores afirmam que o órgão foi informado sobre a presença de contaminação em produtos avícolas ainda em 22 de dezembro, mas somente reconheceu publicamente o problema e iniciou as apreensões no dia 2 de janeiro.
As denúncias também indicam que ao menos dez granjas avícolas teriam adquirido a ração contaminada. No entanto, conforme informações divulgadas pela própria agência, produtos foram apreendidos oficialmente em apenas duas unidades: Intervetcom SRL e Raiplai Avicola SRL. Reportagens adicionais apontam que essas granjas forneciam ovos e carne de frango por meio de licitações públicas, inclusive para o Exército da Moldávia.
O metronidazol é proibido na avicultura na União Europeia desde a década de 1990 e na Moldávia desde 2011. A ingestão de resíduos do antibiótico em ovos e carne pode contribuir para o desenvolvimento de resistência antimicrobiana, além de provocar efeitos adversos à saúde humana, como náuseas, tonturas, dores de cabeça, distúrbios gastrointestinais e potenciais danos ao fígado e aos rins. Também há riscos associados a reações alérgicas e efeitos neurotóxicos.
A ANSA informou que todos os produtos apreendidos, assim como a ração contaminada, foram destinados a uma usina de biogás e tratados como resíduos não alimentares, eliminando riscos à saúde pública. O órgão regulador reforçou ainda que os produtos à base de ovos atualmente disponíveis no mercado moldavo são considerados seguros para consumo.
O episódio ocorre poucas semanas após a Moldávia obter autorização para exportar produtos avícolas à União Europeia e é considerado o incidente veterinário mais grave enfrentado pelo setor avícola do país nos últimos anos, levantando questionamentos sobre controles sanitários, rastreabilidade de insumos e segurança na cadeia de produção.
Referência: Poultry World











