
A Nigéria segue consolidada como uma das principais potências da avicultura africana, tanto em volume produtivo quanto em relevância econômica. De acordo com a Associação Avícola da Nigéria (Poultry Association of Nigeria – PAN), o país abriga um plantel estimado em cerca de 180 milhões de aves e registra uma produção anual em torno de 1,5 milhão de toneladas de carne de frango. No segmento de postura, a avicultura nigeriana alcança aproximadamente 15,8 bilhões de ovos por ano.
Além de seu peso produtivo, o setor avícola apresenta forte impacto econômico. O faturamento anual da atividade é estimado entre US$ 3,2 bilhões e US$ 4 bilhões, respondendo por cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) agrícola do país. Esses números reforçam a avicultura como um dos pilares do agronegócio nigeriano e um componente estratégico para a segurança alimentar nacional.
Apesar dessa relevância, o setor enfrenta um desequilíbrio significativo entre oferta e demanda. Embora o consumo anual de carne de frango na Nigéria seja estimado em aproximadamente 1,5 milhão de toneladas, a produção efetiva gira em torno de 454 mil toneladas, o que atende a menos de um terço da demanda interna. Essa lacuna tem sido suprida, em grande parte, por importações informais e pelo contrabando em larga escala.
Dados da Associação de Profissionais de Alimentação Animal da Nigéria indicam que quase 1 milhão de toneladas de carne de frango entram ilegalmente no país todos os anos. Segundo o presidente da entidade, Dr. Ayoola Oduntan, a carne de aves permanece como a proteína animal mais contrabandeada e importada na Nigéria, evidenciando fragilidades no controle de fronteiras e na política de abastecimento do setor.
Os desafios estruturais que limitam a expansão da produção avícola local estão diretamente associados ao elevado custo dos insumos para ração animal, à instabilidade cambial, ao controle sanitário e a entraves regulatórios. Milho e soja, principais componentes da ração, não são produzidos em volume suficiente no mercado interno, o que obriga o país a recorrer às importações e expõe os produtores à volatilidade dos preços internacionais e às oscilações da moeda.
Somam-se a esse cenário os recorrentes surtos de influenza aviária, além de deficiências na infraestrutura, como falhas na cadeia de frio, limitações no processamento industrial e gargalos logísticos no transporte. Esses fatores elevam a mortalidade das aves, aumentam as perdas operacionais e reduzem a competitividade da produção nacional frente ao produto contrabandeado.
As implicações desse quadro vão além do setor avícola e impactam diretamente a segurança alimentar e o desenvolvimento agroindustrial do país. Com uma população que já ultrapassa 230 milhões de habitantes e perspectivas de crescimento da renda e da urbanização, a demanda por proteína animal acessível tende a se intensificar nos próximos anos.
Reduzir o déficit entre oferta e demanda de carne de frango é visto como um passo estratégico para melhorar os indicadores nutricionais da população, diminuir a dependência de importações, reter valor na economia doméstica e estimular a geração de empregos. Além disso, o fortalecimento da avicultura local pode impulsionar o processamento industrial, favorecer o desenvolvimento regional e, no médio prazo, ampliar a presença da Nigéria no comércio internacional de produtos avícolas.
Referência: Poultry World











