
O governo federal, por meio do Ministério do Planejamento, planeja destinar R$ 750 milhões a duas iniciativas que beneficiam diretamente o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A proposta inclui R$ 400 milhões para a compra de alimentos da agricultura familiar e R$ 350 milhões para o Fundo de Terras e da Reforma Agrária.
Para concretizar essa alocação, há a previsão de que recursos de programas sociais, como o Bolsa Família, sejam reduzidos. A decisão de direcionar os fundos ao grupo, encaminhada para aprovação à Comissão Mista de Orçamento (CMO) e ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre, ocorre poucos dias após a primeira visita do presidente Lula a um assentamento do movimento em seu terceiro mandato.
Espera-se que o orçamento de 2025 comece a ser votado na próxima terça-feira (18), com quase R$ 40 bilhões destinados a novas prioridades, incluindo o MST e demandas de partidos de centro.
A intenção de destinar os recursos ao MST gerou forte reação no setor do agronegócio, como a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Sistema Faep). Ágide Eduardo Meneguette, presidente interino da entidade, considera a medida inadequada, dada a participação do movimento em invasões de terras.
“No Paraná, temos diversos exemplos de atos violentos que geraram insegurança jurídica para nossos produtores rurais. Neste momento, estamos solicitando recursos para o Plano Safra 2025/26, para que pequenos, médios e grandes agricultores e pecuaristas possam planejar a próxima temporada. Esses R$ 750 milhões poderiam, por exemplo, ser destinados ao seguro rural”, afirma Meneguette.
Segundo a Federação, o MST realizou diversas invasões de terras no Paraná nos últimos anos, como em 2014, quando cinco mil pessoas ligadas ao movimento ocuparam áreas produtivas da fazenda Araupel, em Quedas do Iguaçu.
“No ano seguinte, cerca de 1,4 mil integrantes do MST ocuparam a Fazenda Figueira, em Londrina, onde havia um centro de pesquisas da Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (FEALQ). No mesmo ano, integrantes invadiram a Fazenda Capão do Cipó, em Castro, nos Campos Gerais, utilizada há mais de 30 anos pela Fundação ABC”, detalha a nota de repúdio divulgada pelo Sistema Faep.
“Os produtores rurais não suportam mais conviver com invasões e insegurança jurídica. O Sistema Faep, como representante de milhares de agricultores e pecuaristas, defende que o governo federal precisa, urgentemente, abrir um canal de diálogo e dar atenção ao setor agropecuário, que gera renda, empregos e contribui para o crescimento da economia do país”, conclui Meneguette.
Com informações do Canal Rural.











