
Os preços ao produtor no Brasil fecharam o ano de 2024 com um aumento acumulado de 9,42%, refletindo principalmente a valorização do dólar e a alta dos preços dos alimentos.
Esse resultado representa uma inversão significativa em relação a 2023, quando o Índice de Preços ao Produtor (IPP) registrou uma deflação de 4,99%, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O setor de alimentos exerceu um papel crucial na elevação do IPP, tanto no mês de dezembro (contribuindo com 0,49 ponto percentual) quanto no acumulado do ano (3,48 pontos percentuais).
De acordo com Murilo Alvim, analista do IPP, o aumento dos preços foi impulsionado principalmente pelas carnes bovina e de aves. A demanda aquecida, o crescimento das exportações e a valorização do dólar resultaram em uma menor oferta no mercado interno, pressionando os preços para cima.
Além das carnes, outros produtos como suco de laranja e resíduos da extração de soja também apresentaram alta em dezembro.
Com isso, o setor de alimentos encerrou 2024 com uma variação de 14,08%, o maior avanço desde 2021 (18,66%). O grupo do café, que registrou um aumento expressivo de 69,28% no ano, também contribuiu para esse resultado, influenciado pela menor oferta global devido a fatores climáticos e desafios logísticos.
Impacto do câmbio na indústria
A alta expressiva do Índice de Preços ao Produtor (IPP) em 2024 foi diretamente influenciada pela valorização do dólar, que encerrou o ano com um aumento acumulado de 24,5% frente ao real. Somente em dezembro, a moeda norte-americana registrou uma elevação de 5%, impactando diversos setores industriais, como alimentos, metalurgia, químicos, fumo e madeira.
Segundo Murilo Alvim, o câmbio exerce influência sobre os preços ao produtor em diversos segmentos da indústria. Praticamente todos os setores que se destacaram no indicador de longo prazo sofreram algum impacto da valorização do dólar.
Essa alta do dólar encareceu as matérias-primas importadas, pressionando os custos de produção para cima. Além disso, a valorização da moeda americana tornou os produtos brasileiros mais competitivos no mercado internacional, impulsionando as exportações e, consequentemente, a demanda interna, o que também contribuiu para o aumento dos preços.
O impacto do câmbio na indústria demonstra a importância de acompanhar de perto as flutuações cambiais e seus reflexos nos custos de produção e na competitividade dos produtos brasileiros.
Com informações do IBGE e Agrofy News











