
A suinocultura brasileira encerrou 2025 em um cenário de expansão produtiva, fortalecimento das exportações e manutenção da rentabilidade ao longo da cadeia. O setor conseguiu ampliar a oferta de carne suína para atender simultaneamente o mercado interno e o comércio exterior, mesmo diante de um ambiente internacional marcado por incertezas sanitárias, tensões comerciais e volatilidade econômica.
O ano também foi simbólico para a proteína animal brasileira, com o reconhecimento do país como livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e com a capacidade do setor em absorver choques relevantes, como o primeiro foco de influenza aviária de alta patogenicidade em uma granja comercial e o impacto inicial das medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos.
Cenário internacional da suinocultura
Em escala global, o consumo de carne suína apresentou crescimento moderado em 2025, estimado em 0,5%, alcançando 115,6 milhões de toneladas. Houve avanço em mercados como Estados Unidos, Vietnã, Filipinas e México, enquanto China, União Europeia e Coreia do Sul registraram retração. A produção mundial seguiu trajetória semelhante, com alta de 0,2%, totalizando 116,7 milhões de toneladas, sustentada principalmente por Estados Unidos, Brasil e Vietnã.
O comércio internacional manteve estabilidade, absorvendo cerca de 9% da produção global. México e Filipinas ampliaram de forma significativa as importações, enquanto o Brasil avançou nas exportações, em contraste com a redução observada em Estados Unidos, União Europeia e Canadá. Para 2026, a expectativa é de redução do plantel de matrizes em alguns países, especialmente na China, o que pode influenciar a oferta nos próximos anos.
Desempenho do Brasil em 2025
No Brasil, a produção de carne suína voltou a crescer a partir do início de 2025. Dados do IBGE indicam aumento de 3,4% no número de cabeças abatidas e de 1,4% no peso médio das carcaças nos três primeiros trimestres do ano, resultando em expansão de 4,9% no volume produzido. Esse desempenho aponta para uma produção anual entre 5,42 e 5,56 milhões de toneladas.
As exportações bateram novos recordes, com crescimento de 14,5% em volume e de 25% em valor em dólares, impulsionadas pela diversificação de destinos. Filipinas, Japão, México e Argentina ganharam destaque, enquanto China e Hong Kong reduziram participação. Com isso, o Brasil consolidou cerca de 15,7% das exportações globais, assumindo de forma mais clara a posição antes ocupada pelo Canadá.
Mercado interno e custos de produção
O mercado doméstico também teve papel relevante. A disponibilidade interna acompanhou o crescimento populacional e foi sustentada por um cenário de renda relativamente estável, baixo desemprego e encarecimento da carne bovina, o que favoreceu a competitividade da carne suína. Ao mesmo tempo, fatores como endividamento das famílias limitaram um avanço mais intenso do consumo.
Do lado dos custos, a queda no preço do farelo de soja e a elevação moderada do milho permitiram a manutenção das margens. Houve aumento em itens como mão de obra, sanidade e juros, mas sem comprometer a rentabilidade média do setor. Estados como Santa Catarina e Mato Grosso mantiveram custos competitivos em comparação internacional.
Perspectivas para 2026
Para 2026, a expectativa é de continuidade da demanda interna, mesmo com juros elevados, apoiada por fatores como correção da tabela do Imposto de Renda, ciclo eleitoral e grandes eventos. No mercado externo, o status sanitário do Brasil e mudanças no comércio global abrem espaço para novos ganhos. Ainda assim, variáveis climáticas, custos de grãos e instabilidades geopolíticas seguem como os principais pontos de atenção para a suinocultura.











