
Um influente comitê de parlamentares britânicos acusou o governo de estar “caminhando para sua próxima grande crise de segurança alimentar”. Em um relatório contundente sobre “Biossegurança na fronteira”, o Comitê de Meio Ambiente, Alimentos e Assuntos Rurais (EFRA) conclui que “quantidades alarmantes de carne e laticínios estão sendo importados ilegalmente” para o Reino Unido para consumo pessoal e venda.
O Comitê destacou que as importações ilegais de carne, que vêm aumentando há anos, carregam um alto risco de doenças animais que ameaçam a segurança alimentar, a agricultura e a economia, incluindo a febre aftosa e a peste suína africana (PSA).
Falhas e Recomendações Críticas
Após uma visita ao Porto de Dover, os parlamentares se mostraram “extremamente preocupados” com as condições inadequadas das instalações da Força de Fronteira. Eles testemunharam uma van sendo revistada com carne embalada de forma precária e ouviram relatos de um “porco inteiro enfiado dentro de uma mala”.
Entre as principais conclusões e recomendações, o Comitê:
- Contestou a garantia do Defra de que “verificações de inteligência” estão sendo realizadas na fronteira, descrevendo a realidade como uma “rede de inteligência limitada e incompleta”.
- Afirmou ser “inaceitável” a ausência de dados claros e publicamente disponíveis sobre a escala e a natureza da carne ilegal que entra no país.
- Constatou a falta de um impedimento eficaz ao contrabando de carne e solicitou ao Defra um plano para multar e processar reincidentes.
- Pediu ao Defra que crie uma estratégia para o contrabando de produtos de origem animal (POAO), em colaboração com outras agências.
- Classificou a proibição do Defra sobre importações pessoais da maioria das carnes e laticínios da UE como “inócua”, com produtos proibidos continuando a entrar livremente.
- Descreveu a cobertura operacional de 20% no Porto de Dover como “insuficiente” e pediu ao Defra que trabalhe com a Força de Fronteira e a Autoridade de Saúde Portuária de Dover para restaurar as relações danificadas.
- Concluiu que a conscientização pública sobre os riscos de doenças animais é baixa e pediu campanhas mais amplas de conscientização.
O presidente da EFRA, Alistair Carmichael, afirmou que “a Grã-Bretanha está caminhando a passos largos em sua maior crise de segurança alimentar desde o escândalo da carne de cavalo”. Ele pediu ao governo que controle a crise, estabelecendo uma força-tarefa nacional, fortalecendo as redes de inteligência sobre crimes alimentares e equipando as autoridades com os recursos e poderes necessários.
Resposta do Governo
Um porta-voz do governo disse que o governo “aumentou significativamente as apreensões de carne ilegal, restringiu a importação de produtos animais perigosos e está investindo mais de £ 200 milhões em um novo Centro Nacional de Biossegurança”. O governo afirmou que levará em consideração as recomendações do comitê da EFRA enquanto continua a trabalhar com parceiros para proteger a segurança alimentar, os agricultores e a economia.
Referência: Pig World











