
O mercado brasileiro de farelo e óleo de soja atravessou 2025 em um cenário atípico, influenciado por uma safra recorde e por mudanças relevantes no comércio global. A colheita estimada em 171,8 milhões de toneladas, bem acima do volume de 2024, não resultou em pressão baixista intensa sobre os preços internos, principalmente porque o conflito comercial entre Estados Unidos e China redirecionou a demanda internacional para a América do Sul. Com menor apetite chinês pela soja norte-americana, Brasil e Argentina passaram a ocupar papel central no abastecimento asiático, dando sustentação às cotações ao longo do ano.
O ritmo de esmagamento foi outro fator determinante. O processamento nacional deve encerrar 2025 próximo de 58,5 milhões de toneladas, crescimento de cerca de 7% frente ao ano anterior. Esse aumento ampliou a oferta de derivados, pressionando o farelo durante boa parte do ano e limitando movimentos mais consistentes de alta do óleo, sobretudo em momentos de demanda mais fraca. Ainda assim, o segundo semestre foi marcado por forte volatilidade, impulsionada tanto por fatores regulatórios quanto por movimentos especulativos nos mercados internacionais.
No farelo de soja, a discussão em torno da regulamentação europeia para produtos livres de desmatamento (EUDR) teve impacto direto sobre os preços. A expectativa de exigências mais rígidas a partir de 2026 estimulou compras antecipadas por parte da União Europeia, elevando rapidamente as cotações em Chicago e fortalecendo a paridade de exportação brasileira. Esse movimento sustentou uma recuperação dos preços internos no último trimestre, mesmo após meses de queda provocada pela elevada oferta. Com a sinalização de adiamento da EUDR para dezembro de 2026, a demanda perdeu urgência, mas o mercado permaneceu relativamente firme, apoiado pela entressafra e pela menor disponibilidade sazonal.
O óleo de soja, por sua vez, viveu um ano de instabilidade ligada principalmente à política de biocombustíveis. A indefinição sobre o cronograma do biodiesel, especialmente o adiamento do B15 no início do ano, manteve a demanda contida no primeiro semestre. A confirmação da mistura obrigatória a partir de agosto trouxe reação positiva aos preços, mas o movimento perdeu força no fim do ano com a desaceleração das compras do setor e a manutenção de uma oferta confortável. No mercado internacional, o óleo enfrentou ainda a pressão da volatilidade nos mandatos de biocombustíveis dos Estados Unidos, da queda nos preços do petróleo e do aumento da oferta global, fatores que limitaram altas mais sustentadas.
O encerramento de 2025 ocorre com preços mais estáveis, porém sensíveis ao noticiário externo. O farelo encontra algum suporte na entressafra, enquanto o óleo segue condicionado ao equilíbrio entre oferta elevada e demanda moderada. Para 2026, o cenário inicial aponta para fundamentos mais pesados. A projeção de uma nova safra recorde, próxima de 178,7 milhões de toneladas, tende a pressionar os preços domésticos na entrada da colheita, especialmente a partir do primeiro trimestre.
Além disso, a expectativa de normalização parcial do comércio global, com a China retomando compras de soja norte-americana, reduz o espaço para volumes ainda maiores de exportação brasileira. Esse movimento pode elevar os estoques de passagem no país e aumentar a concorrência interna entre soja, farelo e óleo. No campo dos biocombustíveis, a manutenção do B15 e a baixa probabilidade de avanço para o B16 no curto prazo limitam o crescimento da demanda por óleo de soja, reforçando um viés de estabilidade a leve baixa.
Nesse contexto, 2026 se desenha como um ano de ampla oferta, menor apoio geopolítico e preços mais acomodados para o complexo soja. A volatilidade não deve desaparecer, sobretudo no óleo, sensível às políticas energéticas internacionais, mas o viés predominante aponta para pressão moderada sobre as cotações, exigindo do setor foco em eficiência, gestão de risco e abertura de novos mercados para absorver o crescimento da produção.











