
Por Juliana Cantos de Faveri e Amanda Bastos Grimaldi
A suinocultura, ramo da pecuária dedicado à criação de suínos, é uma importante atividade econômica no Brasil, que movimenta mais de R$371 bilhões por ano e emprega mais de 1.153 mil pessoas direta e indiretamente (ABCS, 2024).
No contexto nordestino, essa prática ganha relevância não apenas por seu papel na segurança alimentar e geração de renda, mas também como instrumento de desenvolvimento rural sustentável.
Apesar dos desafios estruturais enfrentados por agricultores e criadores da região, a suinocultura tem mostrado grande potencial de crescimento, especialmente com o apoio de instituições de ensino e pesquisa, como a Universidade Federal da Bahia (UFBA), que vem desenvolvendo estudos e tecnologias voltadas à melhoria da produção, bem como à sustentabilidade e à inclusão social dos pequenos produtores.
A Suinocultura no Nordeste Brasileiro: Panorama e Relevância
O Nordeste brasileiro, tradicionalmente associado à produção agrícola de subsistência e à criação extensiva de animais, tem experimentado nos últimos anos um processo de diversificação produtiva. A suinocultura, neste cenário, destaca-se como uma atividade promissora, especialmente em estados como Bahia, Pernambuco e Ceará, onde pequenos e médios produtores encontram na criação de suínos uma alternativa viável de renda, com ciclos produtivos curtos e bom aproveitamento de recursos alimentares locais.
A importância da suinocultura no Nordeste vai além da produção de carne suína. Ela contribui significativamente para a geração de empregos diretos e indiretos nas zonas rurais, desde a criação até o abate e comercialização dos produtos, e para a diversificação de renda dos produtores. Além disso, fortalece cadeias produtivas locais, movimenta o mercado de insumos e fomenta a agroindústria. Nos últimos anos, com o aumento da demanda por proteína animal, a carne suína tem se apresentado como uma opção competitiva, tanto no mercado interno quanto no externo.
Entretanto, o setor enfrenta limitações específicas na região, como o acesso limitado a tecnologias modernas, a carência de infraestrutura em áreas rurais, dificuldades logísticas e limitações na gestão sanitária. A baixa escala de produção e a falta de assistência técnica contínua dificultam a inserção dos pequenos produtores em mercados mais exigentes. Nesse cenário, o papel das universidades públicas torna-se fundamental para fomentar a pesquisa aplicada e propor soluções adaptadas à realidade local.
As Pesquisas da Universidade Federal da Bahia e Seu Impacto no Setor
A Universidade Federal da Bahia (UFBA) desempenha papel central na promoção do conhecimento científico e tecnológico em diversas áreas, incluindo as ciências agrárias e veterinárias. Através de seus cursos de graduação, programas de pós-graduação e grupos de pesquisa, a UFBA vem contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento da suinocultura na Bahia e em todo o Nordeste.
Os estudos realizados por pesquisadores da UFBA têm se concentrado em áreas estratégicas como nutrição animal, manejo sanitário, melhoramento genético, bem-estar animal e sustentabilidade ambiental. Esses estudos geram informações cruciais para otimizar a produção suína, reduzir custos e minimizar impactos ambientais, ao mesmo tempo em que promovem práticas mais éticas e eficientes.
Um exemplo prático dessa contribuição é o desenvolvimento de dietas alternativas e adaptadas à realidade do Semiárido, utilizando forrageiras adaptadas e subprodutos agrícolas regionais, como palma forrageira, farelo de mandioca e resíduo da agroindústria.Tais pesquisas permitem reduzir os custos com alimentação – um dos principais gargalos da suinocultura – e tornam o sistema mais sustentável.
Outro campo importante de atuação da UFBA é a sanidade animal. A universidade tem promovido pesquisas sobre doenças infecciosas e parasitárias que afetam os rebanhos suínos, desenvolvendo protocolos de prevenção, diagnóstico e tratamento. A capacitação técnica de profissionais e produtores, promovida através de cursos, oficinas e extensão rural, também fortalece a estrutura sanitária da suinocultura baiana.
Além disso, os projetos de extensão universitária da UFBA cumprem um papel social essencial, aproximando o conhecimento acadêmico das comunidades rurais.
Por meio desses projetos, estudantes e professores interagem diretamente com produtores, identificando demandas reais e construindo soluções colaborativas. Essa integração universidade-sociedade é crucial para garantir que os avanços científicos tenham aplicação prática e gerem impacto concreto na vida dos agricultores familiares.
Inovação, Sustentabilidade e Inclusão Social
A atuação da UFBA na suinocultura regional está também alinhada com os princípios da inovação e da sustentabilidade. Tecnologias voltadas ao reaproveitamento de resíduos, como o uso de dejetos suínos na produção de biogás e biofertilizantes, são objeto de pesquisas na instituição. Essas inovações não apenas mitigam os impactos ambientais da atividade, como também oferecem novas fontes de renda e energia para os produtores.
A preocupação com a inclusão social também se reflete nos projetos da universidade, que frequentemente priorizam comunidades tradicionais, assentamentos rurais e populações em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
Ao capacitar esses grupos e fornecer ferramentas para que desenvolvam suas próprias cadeias produtivas, a UFBA contribui para a redução das desigualdades e para a construção de um modelo de desenvolvimento mais justo.
Considerações Finais
A suinocultura no Nordeste brasileiro representa uma oportunidade concreta de desenvolvimento econômico e social, especialmente quando associada à pesquisa e à inovação. A Universidade Federal da Bahia, com sua tradição acadêmica e compromisso com a realidade regional, tem um papel estratégico nesse processo.
Suas pesquisas, projetos de extensão e ações de capacitação não apenas ampliam a produtividade e a sustentabilidade da atividade suinícola, como também fortalecem a autonomia dos produtores e fomentam o desenvolvimento rural de forma integrada e participativa.
Investir na ciência e na educação pública é, portanto, fundamental para o fortalecimento da suinocultura no Nordeste e para a construção de um futuro mais próspero para as comunidades que dela dependem.











