
A projeção do IPCA para 2025 permanece em 4,9%, acima do teto da meta oficial de 4,5% definida pelo Conselho Monetário Nacional. O resultado reflete a persistência de pressões inflacionárias, principalmente no grupo de alimentação, que acumulou alta de 7,3% em 12 meses até maio. O maior impacto vem das carnes: a bovina subiu, em média, 24% no período, enquanto a suína avançou 21% e a de frango, 11%. No acumulado até maio, a inflação do item “carnes” chegou a 23,5%, com destaque para a carne bovina.
Outro fator que contribui para manter a inflação elevada é o ritmo da atividade econômica. Apesar dos juros altos, o PIB segue aquecido, com crescimento de 3,5% nos quatro trimestres encerrados em março, o que sustenta o consumo e dificulta uma desaceleração mais rápida dos preços.
Por outro lado, os preços internacionais das commodities vêm caindo, e o câmbio apresentou alívio nos últimos meses, fatores que ajudam a reduzir parte da pressão sobre os preços internos. Diante desse cenário, algumas projeções para 2026 já apontam inflação em torno de 4,5%.
Ainda assim, os preços das proteínas seguem sendo monitorados com atenção. A alta dos grãos, como milho e soja, eleva os custos de ração e, combinada ao aumento do preço do boi gordo no mercado internacional, pode manter a pressão sobre as carnes. Mesmo com expectativa de uma desaceleração no ritmo de alta, esse grupo ainda representa um risco importante para o controle da inflação ao longo do ano.
“A inflação continua muito sensível a choques de oferta, principalmente no segmento de alimentos. Além disso, a atividade aquecida limita os efeitos da política monetária. Mesmo com alguma queda nas commodities e a valorização do real, ainda há pressões relevantes no curto prazo”, avalia Tânia Gofredo, economista.












