Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP)R$ 69,02 / kg
Soja - Indicador PRR$ 128,99 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR)R$ 133,85 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 12,84 / kg
Suíno - Estadual SPR$ 8,91 / kg
Suíno - Estadual MGR$ 8,35 / kg
Suíno - Estadual PRR$ 8,25 / kg
Suíno - Estadual SCR$ 8,31 / kg
Suíno - Estadual RSR$ 8,26 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 96,83 / cx
Ovo Branco - Regional BrancoR$ 96,87 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 108,48 / cx
Ovo Vermelho - Regional VermelhoR$ 103,20 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP)R$ 89,44 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP)R$ 100,73 / cx
Frango - Indicador SPR$ 7,51 / kg
Frango - Indicador SPR$ 7,54 / kg
Trigo Atacado - Regional PRR$ 1.178,92 / t
Trigo Atacado - Regional RSR$ 1.049,40 / t
Ovo Vermelho - Regional VermelhoR$ 89,22 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES)R$ 84,22 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE)R$ 101,71 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE)R$ 119,62 / cx

Negócios

Como a crise da Languiru levou um frigorífico avaliado em R$ 169 milhões ao leilão? Entenda

Venda judicial marca novo capítulo da crise da cooperativa, que busca retomar ativos e aliviar passivo após dois anos de paralisação da unidade

Como a crise da Languiru levou um frigorífico avaliado em R$ 169 milhões ao leilão? Entenda

Dois anos após encerrar as atividades do seu frigorífico de suínos em Poço das Antas (RS), a Cooperativa Languiru decidiu dar um novo passo na tentativa de reestruturar seu patrimônio e buscar fôlego financeiro. Em junho deste ano, a cooperativa ingressou na Justiça com um pedido para leiloar judicialmente a planta industrial, avaliada em R$ 169,8 milhões. A medida é vista como um desdobramento inevitável diante das dificuldades enfrentadas pela instituição, que está em liquidação e tenta preservar parte de seus ativos estratégicos.

A unidade, considerada uma das mais modernas da região Sul, está equipada e pronta para operar, com capacidade instalada para 1.700 suínos/dia. Desde a paralisação, cerca de 200 produtores integrados seguem sem destino certo para sua produção, gerando forte impacto na cadeia produtiva regional.

“Fechamos dois anos da paralisação do frigorífico no último dia 30 de junho. Foi uma das decisões mais difíceis que tivemos que tomar, mas não havia mais como sustentar a operação. A cooperativa não tinha, e ainda não tem, capacidade financeira para manter toda uma integração de suínos com abates diários em larga escala”, explica Paulo Birck, presidente liquidante da Languiru.

Segundo ele, a Languiru tentou por muitos meses realizar uma venda direta da unidade, mas esbarrou em entraves que iam desde viabilidade técnica até a falta de consenso com possíveis compradores.

Paulo Birck, presidente liquidante da Languiru.

“Sempre tivemos o compromisso de que o comprador assumisse também a base de produtores. Muitos ainda estão parados. Mas, infelizmente, mesmo com o apoio do governo do Estado e muito esforço da gestão atual, não foi possível concretizar a venda direta. Então, como já havíamos sinalizado, fomos para a venda judicial, uma iniciativa da própria cooperativa, e não de credores”, reforça Birck.

A ação foi protocolada no dia 9 de junho de 2025, e o pedido foi aceito. A Justiça já determinou a intimação dos credores com garantia real sobre a planta e deu início aos trâmites legais. A expectativa agora é pela definição do cronograma de publicação do edital e da data do leilão.

“Essa ação judicial foi ingressada pela cooperativa, o que é importante destacar. A condução do processo passa agora ao Poder Judiciário, e estamos aguardando os prazos legais e processuais. Isso garante mais segurança para todos os envolvidos”, afirma também Gustavo Marques, superintendente administrativo e financeiro da Languiru.

A estrutura da planta será leiloada em dois momentos: o primeiro com lance mínimo equivalente à avaliação total (R$ 169,8 milhões) e, se não houver interessados, uma segunda chamada com lance mínimo de 50% desse valor — cerca de R$ 85 milhões.

Apesar de a planta estar totalmente estruturada para o abate de suínos, há o risco de que o novo comprador não atue no setor ou não dê continuidade à integração local. Ainda assim, a diretoria acredita que o perfil do ativo e a concentração dos produtores em um raio de até 30 quilômetros podem atrair interessados em retomar a operação.

“Existe a chance de que o comprador não atue na suinocultura, mas acreditamos que a estrutura montada e o custo logístico reduzido pela proximidade da base produtiva tornam a operação viável e atrativa para quem pretende seguir no setor”, completa Gustavo.

A decisão de recorrer ao leilão judicial, segundo a gestão da Languiru, faz parte de um esforço de transparência com os associados e com a comunidade. Em 15 de julho, a cooperativa realizou uma Assembleia Geral Extraordinária para prestar contas do processo de liquidação e apresentar os próximos passos, incluindo a situação do frigorífico. Durante o encontro, a Languiru também destacou outros avanços recentes na reestruturação financeira.

A cooperativa informou que já negociou mais de R$ 490 milhões em dívidas, o que representa 44% do total apresentado em 2023, junto a 803 credores. Também foram firmados contratos de parceria com JBS e Lactalis, com validade até 2028, além da projeção de crescimento de faturamento mensal em R$ 15 milhões a partir de janeiro de 2025.