A recente exportação de ovos da Ucrânia está inflacionando preços e provocando atritos comerciais no Reino Unido. Saiba mais
Recorde de exportação de ovos ucranianos inflaciona preços domésticos e gera atrito comercial no Reino Unido

A agressiva estratégia de internacionalização do setor de postura da Ucrânia está gerando efeitos colaterais distintos em duas frentes: inflação para o consumidor local e tensão comercial no Reino Unido. Nos primeiros oito meses de 2025, o país embarcou um volume recorde de 1,4 bilhão de ovos, um salto expressivo de 82% em relação ao ano anterior. Esse desempenho, embora positivo para a balança comercial, pressionou as cotações no mercado interno. Segundo Sergey Karpenko, presidente da Associação Ucraniana de Avicultores, os preços no atacado subiram quase 20% no último trimestre, impulsionados pela combinação de fatores sazonais de queda de produção e pelo escoamento massivo da oferta para o exterior.
O impacto no bolso do consumidor ucraniano é sensível e direto. Dados do Ministério das Finanças indicam que, em meados do ano, o preço médio no varejo já superava em quase 50% os valores praticados no ciclo anterior. Karpenko admite que o sucesso das exportações atua como um regulador de mercado, permitindo às empresas manterem preços mais sustentáveis internamente ao evitar o excesso de oferta doméstica. No cenário global, a Croácia lidera como principal destino (11,8% do volume), seguida de perto pelo Reino Unido (10,6%), que absorveu 8 milhões de kg de ovos ucranianos nos primeiros sete meses do ano, superando fornecedores tradicionais da União Europeia como Polônia e Espanha.
Essa entrada massiva de produtos ucranianos no mercado britânico acendeu um alerta entre as lideranças do setor avícola local. O volume de remessas importadas disparou de cerca de 3.500 em 2023 para mais de 10.000 em 2024, alterando a dinâmica de preços. Mark Williams, presidente do Conselho Britânico da Indústria de Ovos, classificou a situação como uma desvantagem competitiva injusta. A crítica central reside na assimetria de normas de bem-estar animal: enquanto o Reino Unido baniu as gaiolas em bateria em 2012, o sistema ainda é predominante na produção ucraniana, permitindo custos operacionais inferiores que desafiam a viabilidade dos avicultores britânicos que seguem padrões mais rígidos.
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Referência: Poultry World
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