
A avicultura brasileira em 2026 inicia o ano diante de um cenário marcado por desafios estruturais, mas também por vetores relevantes de crescimento, tanto no mercado interno quanto no ambiente internacional. A combinação entre consumo doméstico comprador e demanda global firme deve orientar as estratégias da cadeia produtiva ao longo dos próximos meses.
No mercado interno, a expectativa de maior circulação de renda funciona como um dos principais motores. A isenção do Imposto de Renda para pessoas com ganhos mensais de até R$ 5 mil, prevista para entrar em vigor em 2026, somada aos efeitos de um ano eleitoral e à realização da Copa do Mundo, tende a impulsionar o consumo. No cenário externo, as exportações brasileiras devem manter ritmo elevado, mesmo após um ano marcado pelo primeiro registro de influenza aviária no território nacional, reflexo da competitividade do frango e dos ovos brasileiros e das dificuldades sanitárias enfrentadas por outros países.
Pilares que moldam a cadeia avícola
A avicultura brasileira segue condicionada a sete grandes pilares que influenciam desde a produção até o consumo final. O primeiro está ligado ao ambiente macroeconômico, especialmente ao acesso ao crédito e às políticas cambiais em um contexto global de crises fiscais, inflação e juros elevados, fatores que afetam investimentos e poder de compra.
O segundo pilar envolve a política comercial, com barreiras tarifárias e não tarifárias cada vez mais presentes nas negociações internacionais, além de políticas de subsídios e exigências ambientais que moldam a competitividade entre países. O terceiro está relacionado à dinâmica de preços, custos e rentabilidade, influenciada pelos valores dos insumos, pela renda dos mercados consumidores e pela capacidade de absorção da produção.
Produção, custos e novas exigências
O quarto pilar diz respeito à dinâmica produtiva, marcada pela competição por áreas agrícolas com a bioenergia, como o uso do milho para etanol, e pela necessidade de sistemas mais intensivos e alinhados ao bem-estar animal, o que pode pressionar custos. Esse movimento se conecta ao quinto pilar, ligado à qualidade e à segurança dos alimentos, que impacta diretamente os padrões produtivos e os preços praticados.
Os dois últimos pilares refletem mudanças estruturais na demanda por proteína animal. Questões de saúde, renda e preferências regionais, somadas a transformações demográficas e fluxos migratórios, vêm alterando o perfil do consumidor em diversos países.
Brasil no comércio global em 2026
Como um dos principais players globais, o Brasil transforma esses desafios em oportunidades. A produção de alimentos seguros, aliada à ampla disponibilidade de terra, água e tecnologia, sustenta vantagens comparativas relevantes. Em termos competitivos, o fortalecimento do capital humano e os avanços em infraestrutura — como logística, armazenagem, portos e sistema tributário — permanecem como pontos centrais.
Em 2026, a influenza aviária continua sendo a principal preocupação sanitária global, com impactos regionais distintos. Enquanto países do hemisfério norte enfrentam maior vigilância no inverno e custos elevados, mercados como Estados Unidos e China ajustam produção e consumo diante de inflação, juros e movimentos preventivos de abate. Nesse contexto, o Brasil se beneficia de um comércio internacional aquecido.
Produção e mercado interno
A recuperação observada ao longo de 2025, após o episódio de influenza aviária registrado em maio, reforçou a resiliência da cadeia nacional. Os dados projetados indicam crescimento contínuo da produção e das exportações em 2026, sustentados tanto pelo ambiente externo quanto pela dinâmica do mercado doméstico.
As projeções do Cepea apontam produção de 15,576 milhões de toneladas em 2026, com exportações estimadas em 5,509 milhões de toneladas. A disponibilidade interna deve alcançar 10,067 milhões de toneladas, mantendo o consumo per capita em torno de 46 kg. Esse cenário consolida a avicultura brasileira em 2026 como um dos pilares da segurança alimentar e do agronegócio nacional, equilibrando expansão externa e abastecimento interno.











