
A indústria avícola da Síria enfrenta o risco iminente de colapso estrutural. A decisão do novo governo de revogar a proibição à importação de frango congelado, implementada em setembro de 2025, criou um cenário de concorrência insustentável para os produtores locais. A medida, somada a uma explosão de 300% nos custos operacionais, retirou a competitividade do produto nacional. Segundo Nizar Saad El-Din, chefe do Comitê Central de Avicultura, o custo de produção atingiu cerca de US$ 1,71 por kg, tornando inviável a disputa com a proteína importada.
A autorização para importação, concedida em 23 de setembro, tinha como objetivo oficial conter a inflação dos alimentos. No entanto, a execução da política apresenta falhas críticas de controle. Embora a permissão fosse tecnicamente restrita a indústrias de processamento, grandes volumes de frango congelado importado estão “vazando” para as prateleiras dos supermercados, derrubando os preços no varejo. O jornal local Syrian Days alerta que cerca de 15 mil avicultores estão sob risco de falência devido à saturação do mercado e às políticas econômicas consideradas erráticas pelo setor produtivo.
Além da pressão das importações legais, o setor enfrenta o desafio do mercado paralelo. Mazen Deirwan, ex-conselheiro do Ministério da Economia, aponta que o contrabando pode ser uma das principais fontes do frango não sírio encontrado no comércio, já que as licenças oficiais limitam-se a cortes para uso industrial. O governo sírio encontra-se agora diante de um dilema complexo: manter a liberalização para proteger o poder de compra do consumidor ou intervir para salvar a indústria avícola. Para Deirwan, a solução reside não em novas proibições, mas em atacar as raízes dos altos custos de produção locais.
Referência: Poultry World












