
A avicultura brasileira chega a 2025 consolidada como um dos pilares do agronegócio nacional e como principal força do comércio mundial de carne de frango. Mesmo diante de um cenário desafiador, marcado por episódios de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) e por instabilidades no comércio internacional, o setor demonstrou resiliência, capacidade de reação e competitividade, mantendo o Brasil na liderança das exportações globais da proteína.
Após a confirmação de casos de IAAP em aves silvestres em 2023 e o registro pontual da doença em uma granja comercial no Rio Grande do Sul em maio de 2025, o país enfrentou embargos temporários de importantes mercados. Ainda assim, a rápida adoção de medidas sanitárias e de biossegurança permitiu o reconhecimento do Brasil como livre da doença em junho, possibilitando a retomada gradual das exportações. No segundo semestre, os embarques ganharam força, impulsionados principalmente pela reabertura do mercado chinês, que voltou a importar carne de frango brasileira em novembro.
Apesar da leve retração nos volumes e valores exportados em relação a 2024, a produção nacional seguiu em crescimento e deve alcançar cerca de 15,5 milhões de toneladas em 2025. O desempenho reforça a posição do Brasil como terceiro maior produtor mundial e maior exportador, com participação superior a um terço do comércio internacional de carne de frango. No comparativo histórico, enquanto as exportações mundiais cresceram pouco mais de duas vezes desde o início dos anos 2000, as vendas externas brasileiras avançaram mais de quatro vezes, ampliando significativamente a fatia nacional no mercado global.
Esse protagonismo está diretamente ligado à organização da cadeia produtiva, baseada no sistema de integração entre produtores e agroindústrias, ao status sanitário favorável e à competitividade de custos, especialmente em relação à carne bovina e suína. No mercado interno, esses fatores também se refletem no consumo: a carne de frango tornou-se a principal proteína animal da dieta do brasileiro, superando 48 quilos per capita ao ano, enquanto o consumo de ovos segue em trajetória ascendente.
No contexto mundial, a carne de frango tem assumido papel estratégico na segurança alimentar, especialmente após os impactos da Peste Suína Africana sobre a produção global de carne suína. Com ciclo produtivo mais curto e maior eficiência, o frango tem compensado parte da redução de oferta de outras proteínas e mantém crescimento contínuo, mesmo em um ambiente marcado por focos recorrentes de influenza aviária em diversos países.
As projeções para a próxima década indicam que essa tendência deve se intensificar. Até 2034, a carne de frango deve liderar o crescimento da produção, do consumo interno e das exportações brasileiras, ampliando ainda mais sua participação na composição total das carnes produzidas no país. O cenário aponta para um Brasil cada vez mais estratégico no abastecimento mundial de proteínas animais, com a avicultura ocupando posição central nesse processo.











