
O Brasil alcançou, em 2025, um marco histórico nas exportações de ovos, mais que dobrando o volume embarcado e consolidando uma nova fase de internacionalização de um segmento que, até poucos anos atrás, tinha presença limitada no comércio exterior. O desempenho reforça a competitividade da avicultura brasileira e aponta para uma estratégia cada vez mais estruturada voltada ao mercado global.
Segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as exportações de ovos frescos e processados somaram 40.894 toneladas ao longo do ano. O volume representa um crescimento de 121,4% em relação a 2024. Em valor, o avanço foi ainda mais expressivo: a receita atingiu US$ 97,24 milhões, alta de 147,5% na comparação anual.
Um novo patamar para o setor
O resultado elevou as exportações para mais de 1% da produção nacional de ovos, um patamar inédito. De acordo com o presidente da ABPA, Ricardo Santin, trata-se de um avanço relevante, pois ocorre sem comprometer o abastecimento interno, que segue absorvendo cerca de 99% da produção brasileira.
Esse movimento sinaliza uma mudança estrutural. A indústria de ovos começa a incorporar, de forma mais consistente, uma lógica exportadora, antes restrita a nichos específicos e volumes pontuais.
Estados Unidos lideram, mas mercado se diversifica
Os Estados Unidos foram o principal destino dos ovos brasileiros em 2025, com 19.597 toneladas, um salto de 826,7% frente ao ano anterior. No entanto, a imposição de tarifas adicionais reduziu o ritmo dos embarques ao longo do ano, exigindo uma rápida reorganização do setor.
Nesse contexto, novos mercados ganharam destaque. O Japão, considerado um destino de alto valor agregado, importou 5.375 toneladas, crescimento de 229,1%, e passou a liderar os embarques nos últimos meses do ano. O Chile ficou na sequência, com 4.124 toneladas, apesar de retração de 40%. México e Emirados Árabes Unidos completam a lista, reforçando a diversificação geográfica das exportações brasileiras.
Mercado interno segue abastecido
Apesar do avanço expressivo das exportações de ovos, o impacto sobre o mercado doméstico foi limitado. A oferta interna permaneceu elevada, contribuindo para a queda dos preços no início de 2026. Levantamento do Cepea mostra que, em janeiro, os preços médios atingiram os menores níveis para o mês desde 2020 em diversas regiões.
Em Bastos (SP), principal polo produtor do país, os ovos brancos extra grandes foram comercializados a R$ 105,57 por caixa, enquanto os ovos marrons ficaram em R$ 118,76, ambos com quedas expressivas em relação ao mês e ao ano anteriores.
Perspectivas para 2026
Para a ABPA, a tendência é de manutenção dos embarques em patamares positivos, apoiada por uma cultura exportadora mais madura. Fatores sazonais, como o aumento do consumo no período da Quaresma e as temperaturas mais elevadas, devem ajudar a equilibrar o mercado interno.
O desafio do setor em 2026 será expandir sua presença internacional sem pressionar os preços ao consumidor brasileiro, conciliando competitividade externa e estabilidade no mercado doméstico.
Referência: Poultry World/CEPEA











