
Neste oitavo artigo da série, Sebastiane Ebatamehi, do The African Exponent, apresenta um panorama do Marrocos, país que ocupa a terceira posição no ranking dos maiores produtores de aves da África em 2025.
Marrocos alcançou uma produção aproximada de 653 mil toneladas de carne de aves em 2024, posicionando-se como o terceiro maior produtor do continente, atrás apenas do Egito e da África do Sul. Segundo a IndexBox, os três países responderam juntos por cerca de 64% da produção total africana de carne de aves no período, evidenciando a relevância estratégica do setor marroquino.
A produção de frangos de corte segue em expansão. Dados da Federação Interprofissional do Setor Avícola (FISA) indicam que o país produziu cerca de 486 milhões de frangos de corte em 2024, além de 15,1 milhões de pintinhos de peru, números superiores aos registrados em anos anteriores.
O consumo interno também apresenta trajetória de crescimento. O consumo per capita de carne de aves atingiu aproximadamente 20,9 kg por pessoa em 2024, ante 20,6 kg em 2023. O consumo de ovos acompanhou a mesma tendência, passando de 169 para 171 unidades por pessoa no mesmo período. Analistas atribuem esse avanço à melhoria da logística da cadeia do frio e à ampliação da capacidade de abate e produção de ração, impulsionadas por contratos industriais no setor avícola.
Apesar do desempenho positivo, a avicultura marroquina enfrenta desafios relevantes. A volatilidade dos custos da ração segue como um dos principais entraves, já que insumos como milho, soja e outros grãos representam entre 60% e 70% dos custos de produção. O país permanece altamente dependente de importações desses insumos.
As secas recentes, consideradas entre as mais severas das últimas décadas, reduziram a produção local de cereais, elevando as importações e aumentando a exposição dos produtores a riscos cambiais. Além disso, ondas de calor sazonais têm elevado as taxas de mortalidade nos plantéis e os custos operacionais, somadas à instabilidade no fornecimento de pintinhos de um dia para criação e reprodução.
Do ponto de vista econômico e social, o setor avícola tem papel central no país. Estimativas indicam que a atividade emprega cerca de 500 mil pessoas, entre empregos diretos e indiretos, e gera receitas anuais de até 45 bilhões de dirhams marroquinos, o equivalente a quase US$ 5 bilhões, conforme relatórios governamentais recentes.
No comércio exterior, Marrocos também vem ganhando espaço. As exportações de pintinhos de corte de um dia mais que dobraram em 2024, passando de cerca de 770 mil para 1,735 milhão de unidades, reforçando a presença do país no mercado regional.
Especialistas avaliam que, com avanços na autossuficiência em ração animal, no reforço da biossegurança e na gestão de riscos ambientais, como seca e estresse térmico, Marrocos tem potencial para ampliar ainda mais sua produção e se consolidar como um polo regional de exportação avícola.
Referência: Poultry World











