
As indústrias de ração e avicultura do Marrocos atravessam um momento de forte tensão após semanas de paralisações nas importações de insumos essenciais. As dificuldades logísticas vêm comprometendo o funcionamento das fábricas de ração e colocando os produtores de aves em alerta quanto à continuidade da produção.
Em janeiro de 2026, os principais portos marroquinos enfrentaram sérios problemas operacionais provocados por sucessivos sistemas de baixa pressão que atingiram o Atlântico Norte e o Golfo da Biscaia. As condições climáticas adversas — com ventos intensos, mar agitado e baixa visibilidade — impediram a atracação segura de navios e o uso de guindastes, causando atrasos prolongados e acúmulo de cargas.
Diante desse cenário, grandes companhias de navegação internacional, como CMA CGM, Maersk e Hapag-Lloyd, optaram por suspender as escalas nos portos do país. Segundo fontes do setor marítimo, os navios foram instruídos a permanecer ancorados em áreas seguras até a melhora das condições climáticas, evitando riscos durante as tempestades.
Indústria de ração à beira da paralisação
A interrupção prolongada empurrou a indústria marroquina de rações para uma situação crítica. Em comunicado enviado ao Ministério da Agricultura, a Associação de Fabricantes de Ração Composta do Marrocos alertou para a incapacidade crescente das fábricas de manter a produção diante da falta de matérias-primas.
Segundo a entidade, a escassez compromete diretamente o fornecimento de rações para o setor pecuário em geral, com impactos ainda mais severos sobre a avicultura. Além disso, os custos adicionais gerados por navios retidos em alto-mar tendem a pressionar os preços e agravar o risco de desabastecimento de produtos de origem animal.
O problema é agravado pela elevada dependência externa do país: cerca de 90% das matérias-primas utilizadas na produção de ração são importadas. Ao mesmo tempo, o Marrocos dispõe de capacidade limitada de armazenagem de grãos, o que impede a formação de estoques estratégicos capazes de amortecer choques logísticos prolongados.
Como solução emergencial, os fabricantes defenderam que navios transportando insumos para ração tenham prioridade de atracação e descarga, medida que poderia reduzir a escassez e evitar a interrupção total da produção.
Avicultores temem colapso da cadeia produtiva
A preocupação também se espalha entre os produtores de aves. A Associação Nacional de Produtores de Carne de Aves afirmou que a dificuldade das fábricas de ração em obter insumos básicos ameaça a estabilidade de toda a cadeia produtiva.
Em nota, a entidade alertou que a falta de ração pode levar à paralisação das atividades e até à falência de criadores. O presidente da associação, Mustafa Al-Muntasir, destacou que a escassez de milho e soja — ingredientes fundamentais para a alimentação de frangos de corte — é hoje o principal fator de risco para o setor.
Segundo ele, a situação pode desencadear uma crise sem precedentes no abastecimento do mercado nacional de carne de frango, caso não haja uma resposta rápida das autoridades.
Risco de reflexos para o consumidor
Representantes de consumidores também demonstraram apreensão. Noureddine Hamano, presidente da Associação Marroquina para a Proteção e Defesa dos Direitos do Consumidor, pediu uma intervenção urgente do poder público para evitar aumentos de preços ou falta de produtos nas prateleiras.
De acordo com lideranças do setor, se a crise logística persistir sem medidas corretivas imediatas, o país poderá enfrentar não apenas dificuldades produtivas, mas também um impacto direto sobre o mercado e o consumo, afetando produtores e consumidores em toda a cadeia.
Referência: Poultry World











