
Os preços médios dos ovos registraram em janeiro de 2026 o menor patamar para o período desde 2020, segundo levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). A retração foi observada em diversas regiões acompanhadas pelo Centro de Pesquisas e reflete um cenário de demanda enfraquecida e pressão sobre a rentabilidade dos produtores.
De acordo com os dados, até o dia 28 de janeiro, as médias mensais ficaram até 17% abaixo das registradas em dezembro de 2025 e até 27% inferiores às de janeiro do ano passado, em termos reais — ou seja, já descontada a inflação medida pelo IGP-DI de dezembro/25.
Queda expressiva atinge principais regiões produtoras
O levantamento do Cepea indica que o recuo nos preços ocorre de forma generalizada, impactando importantes polos de produção. O movimento reforça o cenário de excesso de oferta em relação ao consumo, comum neste período do ano, e limita a capacidade de recuperação das cotações no curto prazo.
A retração ganha ainda mais relevância por ocorrer em um momento no qual os custos de produção seguem elevados, especialmente os relacionados à alimentação das aves.
Bastos registra os menores preços para janeiro em seis anos
Na região de Bastos (SP) — principal polo produtor de ovos do país — os números reforçam a intensidade da queda:
Ovo branco tipo extra (FOB, granja):
- Média de R$ 105,57 por caixa com 30 dúzias
- Queda de 12% em relação a dezembro/25
- Recuo de 24,8% na comparação anual, em termos reais
Ovo vermelho tipo extra:
- Média de R$ 118,76 por caixa
- Redução de 11% frente a dezembro/25
- Queda de 27,3% em relação a janeiro de 2025, também em valores reais
Segundo o Cepea, ambos os valores são os mais baixos registrados para o mês de janeiro nos últimos seis anos, o que evidencia a intensidade da pressão sobre o mercado.
Pressão sobre margens preocupa o setor
A combinação entre preços em queda, consumo enfraquecido e custos ainda elevados compromete diretamente a rentabilidade da avicultura de postura. Mesmo com eventuais reações pontuais ao longo do mês, os preços médios seguem em patamar considerado baixo para o período.
O Cepea destaca que o comportamento do consumo interno, aliado ao ritmo de oferta e aos custos de produção, será decisivo para definir se haverá espaço para recuperação das cotações nos próximos meses.
Mercado segue atento ao comportamento da demanda
Com o avanço do calendário e a possível normalização do consumo após o período de férias, o setor acompanha de perto os próximos movimentos do mercado. No entanto, o cenário atual ainda inspira cautela, especialmente para produtores que enfrentam margens cada vez mais apertadas.











