
Uma mudança aguardada na nutrição animal britânica foi adiada indefinidamente. O Departamento de Meio Ambiente e Assuntos Rurais (Defra) e o Governo Galês confirmaram a intenção técnica de liberar o uso de Proteína Animal Processada (PAP) de suínos em rações de aves (e vice-versa), mas suspenderam a implementação enquanto negociam um novo acordo sanitário (SPS) com a União Europeia.
A proposta visa alinhar o Reino Unido às regras europeias (que liberaram o uso em 2021), reduzindo a dependência de soja importada e promovendo a economia circular. Consultas públicas revelaram apoio da indústria, mas forte resistência do público leigo.
A consulta revelou um abismo entre a ciência e a percepção popular. Das 736 respostas recebidas, a grande maioria (vinda do público geral) se opôs à medida, citando preocupações éticas e a crença de que proteínas animais não fariam parte da “dieta natural” dos suínos. O governo também precisou endereçar receios religiosos: após reuniões com certificadores Halal, foi assegurado que a rastreabilidade nas fábricas de ração é capaz de garantir que produtos para consumo islâmico não tenham contato com proteínas proibidas, mantendo a conformidade com a Sharia.
Cientificamente, o governo garante que o risco de Encefalopatias Espongiformes Transmissíveis (EET) é “muito baixo”, já que suínos e aves não são naturalmente suscetíveis. A Agência de Saúde Animal (APHA) validou a segurança. O gargalo agora é político: o governo quer usar essa liberação como moeda de troca ou alinhamento no novo tratado com a UE.
Do lado produtivo, a Associação Nacional de Suinocultores (NPA) estabeleceu condições claras para quando o entrave político for resolvido. Para a entidade, a aprovação legal é apenas o primeiro passo; a implementação prática dependerá da aceitação dos grandes varejistas e consumidores, da viabilidade econômica frente aos custos de segregação nas fábricas e, crucialmente, da disponibilidade de ferramentas analíticas precisas para validar a segurança e a composição das rações.
Para a NPA, a pausa não surpreende, mas preocupa. Lizzie Wilson, CEO da entidade, alerta que intervenções técnicas estão sendo “reféns” da diplomacia, travando a competitividade do produtor britânico, que hoje compete com europeus que já usam essa tecnologia.
Referência: Meat Management












