Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP)R$ 68,43 / kg
Soja - Indicador PRR$ 124,44 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR)R$ 130,59 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 12,45 / kg
Suíno - Estadual SPR$ 8,76 / kg
Suíno - Estadual MGR$ 8,25 / kg
Suíno - Estadual PRR$ 8,15 / kg
Suíno - Estadual SCR$ 8,14 / kg
Suíno - Estadual RSR$ 8,16 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 121,36 / cx
Ovo Branco - Regional BrancoR$ 122,85 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 135,86 / cx
Ovo Vermelho - Regional VermelhoR$ 137,64 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP)R$ 114,27 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP)R$ 128,97 / cx
Frango - Indicador SPR$ 7,34 / kg
Frango - Indicador SPR$ 7,41 / kg
Trigo Atacado - Regional PRR$ 1.178,26 / t
Trigo Atacado - Regional RSR$ 1.054,59 / t
Ovo Vermelho - Regional VermelhoR$ 142,31 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES)R$ 120,14 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE)R$ 123,25 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE)R$ 135,43 / cx

Revista

O que muda com Brasil livre de febre aftosa sem vacinação na edição de Agosto da Suinocultura Industrial

Saiba como o status livre de febre aftosa sem vacinação impacta a suinocultura e abre novos mercados para os produtores brasileiros

O que muda com Brasil livre de febre aftosa sem vacinação na edição de Agosto da Suinocultura Industrial

Em maio de 2025, o Brasil alcançou um feito inédito na história da sanidade animal: o reconhecimento oficial, pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), como país livre de febre aftosa sem vacinação. Para a suinocultura nacional, o novo status representa um divisor de águas, não apenas por abrir novos mercados, mas por elevar as exigências técnicas e sanitárias a um novo patamar.

Embora os bovinos sejam os principais hospedeiros do vírus da febre aftosa, os suínos também são suscetíveis. Para o pesquisador Luizinho Caron, da Embrapa Suínos e Aves, o impacto da certificação é profundo e estratégico.

“A presença do vírus da febre aftosa em uma região, ainda que os suínos não sejam os principais transmissores, representa uma barreira sanitária e comercial relevante”, afirma Caron. “O novo status permite ao Brasil competir na elite dos mercados internacionais, mas essa posição exige vigilância contínua e alto padrão de biosseguridade”.

Portas abertas para a suinocultura, e pressão também

O novo status sanitário do Brasil muda o jogo para o setor suinícola. Confira os principais impactos diretos:

  • Acesso a mercados premium como Japão, Coreia do Sul, México e Taiwan
  • Reforço obrigatório da biosseguridade em todas as etapas da produção
  • Exigência crescente de rastreabilidade e documentação técnica
  • Potencial de expansão na exportação de reprodutores suínos vivos
  • Fiscalizações mais rigorosas por parte de importadores
  • Pressão por bem-estar animal e sustentabilidade ambiental
  • Maior exposição internacional, e menos margem para falhas

Avanço estratégico para o setor

Para Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a nova classificação sanitária amplia possibilidades comerciais e reforça a credibilidade internacional do setor. “É uma conquista histórica, que abre portas em mercados de alto valor agregado. Com isso, ampliamos a competitividade do setor e consolidamos a imagem do Brasil como fornecedor confiável de proteína animal”, aponta.

A diretora técnica da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), Charli Ludtke, ressalta que a valorização dos produtos de origem animal deve ser acompanhada de responsabilidade. “Estamos diante de um diferencial competitivo importante. Para os suinocultores, especialmente os independentes, trata-se de uma chance concreta de ampliar mercados e exportar inclusive reprodutores vivos com genética nacional de ponta”.

O exemplo de Santa Catarina

Santa Catarina foi o primeiro estado brasileiro a ser reconhecido como livre de febre aftosa sem vacinação, em 2007. Desde então, se consolidou como modelo de excelência sanitária. O presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi, destaca a importância de manter padrões rigorosos.

“Chegar a esse status não foi fácil, e mantê-lo exige ainda mais atenção. Precisamos registrar tudo, garantir a rastreabilidade, reforçar a transparência e seguir avançando em bem-estar animal. Esse compromisso contínuo é o que garante a confiança do mercado internacional”, afirma.

Para ele, a conquista nacional não deve gerar competição entre estados, mas sim cooperação e evolução coletiva. “A competitividade tem que ser interna, de cada um buscando melhorar, e não uma disputa entre regiões. O objetivo é fortalecer a imagem sanitária do Brasil como um todo”.

Biosseguridade: agora, obrigação formal

O fim da vacinação traz à tona uma exigência inegociável: rigor na biosseguridade. Para Caron, essa passa a ser uma exigência indispensável para a manutenção do status sanitário.

“Sem a vacinação, aumenta o risco de disseminação viral em caso de introdução da doença. Por isso, medidas como controle de acesso, quarentena, barreiras físicas e protocolos de higiene deixam de ser diferenciais, tornam-se obrigações técnicas”, reforça.

A ABCS também enfatiza que o modelo de sucesso do Brasil se deve à integração entre setor público e privado, o que deve continuar e se intensificar. “A vigilância ativa, a capacitação técnica e a atuação coordenada com países vizinhos serão essenciais para manter esse reconhecimento”, diz Ludtke.

Cadeia preparada, mas desafiada

A estrutura da suinocultura brasileira é altamente tecnificada e tem protocolos sanitários consolidados, segundo Santin. O foco agora deve estar em ampliar a rastreabilidade, unificar processos e reforçar o controle sanitário de ponta a ponta.

“Muitas das empresas que já atuam em mercados exigentes como Japão e EUA estão presentes em outros estados. Isso pode acelerar a inserção dessas regiões, desde que todas estejam prontas para atender os mesmos padrões”, explica.