
A disparada nos preços dos ovos nos Estados Unidos, impulsionada pelo surto de gripe aviária que resultou no abate de milhões de galinhas, desencadeou um aumento significativo no contrabando do produto. A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) registrou um aumento de 158% nas apreensões de ovos na fronteira da Califórnia com o México nos dois primeiros meses de 2025.
Este fenômeno não se limita à Califórnia. Entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, as apreensões de ovos nas fronteiras americanas, incluindo as do Canadá, portos marítimos e aeroportos, cresceram 29% em comparação com o mesmo período do ano anterior. O contrabando ocorre tanto em pequenas quantidades, para consumo pessoal, quanto em grandes remessas destinadas ao mercado americano.
“É crucial alertar os viajantes sobre a importância de proteger nossa indústria agrícola”, enfatizou Sidney Aki, diretor de operações de campo da CBP em San Diego. A agência reforça a obrigatoriedade de declarar todos os produtos agrícolas aos oficiais da CBP e às autoridades agropecuárias, sob pena de multas de até US$ 10 mil. O transporte de ovos frescos, frango cru ou aves vivas para os EUA sem autorização é estritamente proibido.
A CBP intensificou as inspeções, a vigilância e o uso de tecnologia de rastreamento para detectar e apreender ovos contrabandeados. As autoridades alertam para os riscos econômicos e sanitários, já que o transporte ilegal de ovos, frequentemente em condições inadequadas, pode propagar doenças e contaminações, como a salmonela.
A Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) também alertou sobre os riscos à saúde representados pelos ovos ilegais, que podem não atender aos padrões de manuseio, refrigeração e saneamento exigidos nos EUA. O governo mexicano, por sua vez, implementou medidas para combater o contrabando, incluindo regulamentações mais rigorosas sobre produção e exportação.
A “crise dos ovos” nos EUA transformou o produto em notícia policial, com o registro do roubo de 100 mil ovos orgânicos na Filadélfia em fevereiro.
Fonte: Globo Rural











