Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP)R$ 66,17 / kg
Soja - Indicador PRR$ 119,54 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR)R$ 124,88 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 11,10 / kg
Suíno - Estadual SPR$ 7,05 / kg
Suíno - Estadual MGR$ 6,75 / kg
Suíno - Estadual PRR$ 6,76 / kg
Suíno - Estadual SCR$ 6,73 / kg
Suíno - Estadual RSR$ 6,79 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 146,72 / cx
Ovo Branco - Regional BrancoR$ 150,71 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 162,59 / cx
Ovo Vermelho - Regional VermelhoR$ 163,73 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP)R$ 139,15 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP)R$ 155,32 / cx
Frango - Indicador SPR$ 6,92 / kg
Frango - Indicador SPR$ 6,98 / kg
Trigo Atacado - Regional PRR$ 1.168,03 / t
Trigo Atacado - Regional RSR$ 1.058,24 / t
Ovo Vermelho - Regional VermelhoR$ 155,03 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES)R$ 143,27 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE)R$ 126,06 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE)R$ 135,73 / cx

Crise argentina

Em Rosário, 300 mil agricultores argentinos desafiam o governo.

Redação (27/05/2008)- Eles compareceram trajando boinas e chapéus de caubói, calças jeans ou tradicionais dos gaúchos dos pampas. Foi em meio a um ambiente de quermesse que 300 mil agricultores se reuniram, no domingo (25), em Rosário, no coração do pampa argentino, uma das regiões agrícolas mais ricas do mundo. O objetivo era de protestar contra o aumento das taxas que fora imposto, no início de março, sobre as exportações de soja, a principal riqueza do país.

Três meses depois do surgimento de uma revolta rural sem precedente que se traduzira por greves no fornecimento da produção para a exportação, e no momento em que as negociações se encontram num impasse, agricultores e governo mediram forças por ocasião de duas manifestações simultâneas.

Estes atos de protesto coincidiram com a festa nacional comemorativa da instalação do primeiro governo independente da Argentina, em 25 de maio de 1810. No discurso que ela pronunciou em Salta, no norte do país, a presidente peronista Cristina Kirchner nem sequer mencionou o conflito com as organizações camponesas. Diante de cerca de 150 mil partidários, ela manifestou a sua satisfação com a recuperação econômica do país que foi iniciada em 2003 pela administração do seu marido, o antigo presidente Nestor Kirchner.

"A diferença é que aqui, em Rosário, a população compareceu espontaneamente, ao passo que em Salta os militantes pró-Kirchner foram conduzidos em ônibus fretados e pagos", exclama Joaquin Zabala, um agricultor de cerca de 30 anos, empoleirado sobre um trator, que exibe uma roseta distintiva na botoeira.

"Na França, o governo subvenciona os agricultores, enquanto na Argentina ele os engana com falsas promessas", se queixa Zabala, bebericando chá mate, a infusão tradicional.

Marta Ferrando, uma professora de curso primário, explica que ela compareceu ao ato de protesto porque ela considera que "os Kirchner se apresentam como se encarnassem Robin Hood ao passo que eles não promoveram nenhuma redistribuição das riquezas, e nem sequer instituíram qualquer imposto sobre as grandes fortunas".

"Alimentar o clientelismo"
"No começo, nós não nos opusemos às taxas sobre as exportações de cereais quando estas foram instituídas", resume Ana Garbarini, a presidente do movimento das camponesas em luta. "Essas taxas eram justificadas, pois elas se destinavam a ajudar o país a sair do marasmo econômico de 2001, mas atualmente o governo não está fazendo nenhuma diferença entre os grandes e os pequenos produtores". E ela acrescenta: "Além do mais, o governo está mentindo. O dinheiro arrecadado não é utilizado para prestar ajuda aos mais depauperados. Ele não está proporcionando nenhuma melhora das infra-estruturas, dos hospitais, das escolas. Eles querem construir um luxuoso TGV (trem de grande velocidade), ao passo que a rede ferroviária foi desmantelada, o que acabou isolando os habitantes do interior do país".

Os impostos, segundo Ana Garbarini, "servem para pagar a dívida externa e para alimentar o caixa que os Kirchner destinam à sua política de clientelismo". O que ela está exigindo é "uma reforma agrária, num país onde a maior parte das terras está concentrada nas mãos de estrangeiros, de grandes conglomerados para os quais a soja é a galinha dos ovos de ouro".

"Obrigado a vocês, Kirchner, por terem promovido a nossa união", proclama um cartaz. Pela primeira vez, as quatro principais entidades agrícolas do país, que historicamente sempre estiveram divididas e que representam não só os grandes proprietários de terras como também os pequenos e médios produtores, se uniram numa frente única contra o governo. Na segunda-feira (26), os dirigentes agrícolas se disseram prontos para retomarem o diálogo com as autoridades, advertindo na mesma ocasião que em caso de fracasso, greves e bloqueios nas estradas voltariam a ser realizados.

Blanca Rivas, um engenheiro agrônomo, não se mostra nem um pouco otimista: "Na verdade, o governo não está interessado em firmar acordo algum; o que ele quer é nos desgastar e nos dividir".

O movimento rural e seus porta-vozes se destacaram até agora como a principal força de oposição. Eles receberam o apoio de vários governadores, de partidos políticos de oposição e da maioria dos movimentos sociais. O governo os acusa de estarem querendo fomentar um golpe de Estado em meio a um ambiente social dos mais tensos: a inflação disparou, aumentando em mais de 25% no espaço de um ano, segundo apontam especialistas, enquanto 30% dos argentinos vivem na pobreza, segundo denunciam lideranças da Igreja Católica.

Por sua vez, o governo afirma que a inflação não passa de 9% e que a pobreza foi reduzida para 20,6%. Ele nega igualmente que esteja havendo uma redução da popularidade de Cristina Kirchner, a qual teria desmoronado para 26% de opiniões favoráveis, cinco meses apenas depois da sua posse.

Christine Legrand – Em Rosário, Argentina

Tradução: Jean-Yves de Neufville