
As exportações de carne bovina da África do Sul recuaram 26% em 2025, mesmo diante da demanda global aquecida. A principal razão para a queda foi a proibição imposta pela China à carne vermelha sul-africana, em meio ao pior surto de febre aftosa enfrentado pelo país nos últimos anos.
Desde o início de 2025, a doença viral altamente contagiosa voltou a se espalhar pelo território sul-africano, atingindo sete das nove províncias. O avanço do surto levou a China a suspender as importações em maio, provocando uma retração expressiva no comércio bilateral. As exportações de carne bovina para o mercado chinês caíram 69%, totalizando apenas 1.687 toneladas métricas no ano passado, segundo dados da Red Meat Industry Services (RMIS).
Em 2024, a China ocupava a terceira posição entre os principais destinos da carne bovina sul-africana, atrás apenas dos Emirados Árabes Unidos e da Jordânia. A perda desse mercado agravou os impactos econômicos sobre o setor pecuário.
Os efeitos do surto também são sentidos diretamente nas propriedades rurais. O produtor James Kean, que atua em Mooi River, relatou um aumento de cerca de 1 milhão de rands em seus custos operacionais após a identificação da doença em sua fazenda leiteira no fim de janeiro. Segundo ele, alguns produtores chegaram a gastar, em apenas um mês, o equivalente a três anos de despesas com produtos veterinários.
A produtividade também foi afetada. Na fazenda de Kean, a produção diária de leite caiu de aproximadamente 26 mil litros para 23 mil litros poucos dias após o surto, reflexo da redução do consumo de alimento e do desempenho das vacas infectadas.
Para o produtor, os prejuízos podem se estender para toda a economia. Ele alerta que o rebanho nacional pode ser reduzido à metade em até dois anos, o que tende a pressionar os preços dos alimentos. Kean e outros agricultores criticam a atuação do governo, alegando falhas no controle da doença.
Em resposta, o governo sul-africano anunciou a meta de vacinar 80% do rebanho nacional, estimado em cerca de 12 milhões de cabeças. No dia 6 de fevereiro, foi lançada a primeira vacina contra a febre aftosa produzida no país em 20 anos, em uma tentativa de reduzir a dependência externa. Atualmente, a África do Sul importa a maior parte das doses de países como Botsuana, Turquia e Argentina.
Segundo o economista agrícola Wandile Sihlobo, o país enfrenta um dos surtos mais severos justamente em um momento de limitada capacidade interna de produção de vacinas, o que amplia os desafios para conter a doença e normalizar o comércio internacional.
Referência: Reuters











