
A indústria suína da França deverá intensificar seus esforços produtivos para acompanhar o bom desempenho da carne suína no consumo interno. O alerta foi feito pela Inaporc, órgão que representa a cadeia suinícola francesa, em sua revisão de mercado para 2025.
Consumo em alta e preços em queda
Em 2025, as vendas de carne suína avançaram em todos os canais, tanto no consumo doméstico quanto fora do lar. Diferentemente de outras proteínas, a carne suína registrou aumento da demanda ao mesmo tempo em que os preços recuaram. As estimativas iniciais indicam crescimento de 2,6% no consumo, após alta de 1,4% em 2024. O consumo per capita atingiu 31,6 kg por habitante, nível semelhante ao do frango e de outras aves.
Apesar do avanço da demanda, os preços nos supermercados caíram 1,6%, alcançando média de € 12,10 por quilo para carne suína e produtos derivados, incluindo charcutaria. Do lado da oferta, o número de suínos abatidos cresceu 0,3%, e, com o aumento do peso médio das carcaças, a produção total subiu 0,7%. Ainda assim, o índice de autossuficiência caiu para 98%, reforçando a dependência crescente de importações.
Envelhecimento dos produtores e risco à continuidade
A Inaporc avalia que a situação do setor pode se agravar nos próximos anos devido ao envelhecimento dos produtores. Atualmente, 40% do volume produzido vem de agricultores com mais de 55 anos, enquanto 36% dos dirigentes das mais de 300 empresas francesas de charcutaria têm mais de 60 anos. A entidade estima que mais de 100 granjas, com média de 300 matrizes cada, precisem ser transferidas anualmente para novos produtores.
Manter a produção estável exigirá investimentos superiores a € 5 bilhões ao longo da próxima década. Diante desse cenário, a Inaporc defende a mobilização de toda a cadeia sob a marca Le Porc Français, além de mudanças regulatórias que facilitem a sucessão e a modernização das propriedades.
Pressão regulatória e rentabilidade em risco
A entidade também alertou para a queda da rentabilidade das granjas, impactadas pela redução dos preços da carne suína, pelas tarifas antidumping impostas pela China à carne europeia e pelos casos de Peste Suína Africana na Espanha. Segundo a Inaporc, o aumento das importações pressiona ainda mais os produtores e a indústria de charcutaria.
O setor pede redução da burocracia, adequação das regras ambientais à realidade da suinocultura e uma isenção da Diretiva de Emissões Industriais da União Europeia para granjas de suínos e aves. Mesmo com essas reivindicações, a cadeia afirma manter compromisso ambiental, com meta de reduzir em 25% as emissões de gases de efeito estufa até 2035.
Ao final, a Inaporc reforçou o apelo para que consumidores e compradores priorizem produtos identificados com o selo Le Porc Français, como forma de apoiar a sustentabilidade econômica da suinocultura francesa.
Referência: Pig Progress











