
As margens líquidas dos produtores de suínos recuaram no último trimestre de 2026, refletindo um cenário em que a redução dos preços dos animais superou o alívio observado nos custos de produção. No período, o resultado médio ficou em torno de £10 por cabeça, indicando menor rentabilidade frente aos trimestres anteriores.
As estimativas trimestrais mais recentes da AHDB, elaboradas a partir de dados de desempenho de rebanhos de reprodução e terminação, apontam que o custo econômico total de produção no quarto trimestre foi de 190 pence por quilo de peso morto. O valor representa queda de 2 pence em relação ao terceiro trimestre e está 13 pence abaixo do pico recente de 203 pence/kg registrado no primeiro trimestre de 2025.
Custos recuam, puxados pela alimentação
A principal contribuição para a redução dos custos veio da alimentação. Os gastos com ração recuaram 2 pence em comparação ao trimestre anterior, alcançando 114 pence/kg, o equivalente a cerca de 60% do custo total de produção.
Outros componentes apresentaram pouca variação no período, com estabilidade nos custos variáveis, de mão de obra e financeiros, o que manteve o custo total relativamente controlado para os produtores.
Preços do suíno caem com mais intensidade
Apesar do alívio nos custos, o movimento dos preços foi mais negativo. O preço do suíno medido pelo SPP atingiu média de 201 pence/kg no quarto trimestre, queda de 6 pence em relação ao terceiro trimestre.
Esse recuo reduziu a margem média estimada por animal abatido para £10,32, cerca de £3 a menos que no trimestre anterior. Em termos de peso morto, a margem ficou em 11 pence/kg, recuo de 4 pence frente ao terceiro trimestre.
Histórico recente ainda é positivo
Mesmo com a retração no fim de 2026, os dados indicam que as margens líquidas médias permaneceram positivas em 10 dos últimos 11 trimestres. A exceção foi o primeiro trimestre de 2025, quando o setor operou no ponto de equilíbrio devido a um aumento expressivo dos custos de produção.
Esse desempenho representou um alívio parcial para os suinocultores, especialmente após um período prolongado de dificuldades, marcado por 10 trimestres consecutivos de prejuízos antes dessa recuperação.
Pressão adicional no início de 2027
O cenário, no entanto, voltou a se deteriorar no trimestre corrente. Embora os custos não tenham apresentado mudanças relevantes até o momento, os preços continuaram sob pressão. A matéria-prima caiu de 197 pence/kg no fim de 2026 para pouco mais de 190 pence/kg no final de janeiro, ampliando as preocupações quanto à rentabilidade no curto prazo.
Desde 2025, os cálculos de custo de produção e margens líquidas passaram a utilizar o preço SPP como referência, substituindo o APP. Essa metodologia foi mantida ao longo de 2026 e segue sendo aplicada nas análises mais recentes do setor.
Referência: Pig World











