
A Peste Suína Africana (PSA), doença viral altamente contagiosa e com taxa de mortalidade próxima a 100% entre suínos, continua a representar uma grave ameaça à suinocultura, à biodiversidade e aos meios de subsistência no nordeste da Índia. A conclusão consta de um estudo recente publicado na revista Indian Farming, que analisa os impactos prolongados da enfermidade desde sua introdução no país, em 2020.
Assinado por Sandeep Ghatak, Hosterson Kylla, AAP Milton, Samir Das, K. Puro e VK Mishra, o trabalho reúne pesquisadores ligados ao Complexo de Pesquisa do ICAR para a Região Montanhosa do Nordeste, em Umiam, e ao Departamento de Pecuária e Veterinária de Meghalaya. O estudo detalha como a PSA comprometeu severamente os sistemas de produção suína em estados como Assam, Arunachal Pradesh, Mizoram e Manipur, regiões onde a criação de suínos possui forte relevância econômica, social e cultural.
O vírus da PSA apresenta características singulares. Trata-se do único vírus de DNA conhecido capaz de ser transmitido por carrapatos moles do gênero Ornithodoros em determinados ambientes ecológicos. Embora esse tipo de transmissão ainda não tenha sido confirmado na Índia, a alta resistência ambiental do agente e sua facilidade de disseminação tornam o controle extremamente complexo. Até o momento, não existe vacina ou tratamento específico disponível para a doença, o que amplia os impactos sanitários e econômicos dos surtos.
Desde os primeiros registros oficiais em Assam e Arunachal Pradesh, em 2020, a PSA se espalhou rapidamente por diferentes áreas do nordeste indiano. O avanço da enfermidade provocou perdas expressivas nos plantéis, afetando diretamente a renda de pequenos produtores e desestruturando cadeias produtivas locais. Segundo dados das Estatísticas Básicas de Pecuária (BAHS) de 2024, o nordeste da Índia concentra parcela relevante da população suína nacional. Assam lidera com mais de 2,1 milhões de suínos, seguido por Meghalaya, com 706.364 animais, Nagaland, com 404.695, e Mizoram, com 292.465.
O levantamento mostra ainda que, entre 2012 e 2019, estados como Assam, Meghalaya e Mizoram registraram crescimento na população suína, enquanto Arunachal Pradesh, Tripura e Manipur apresentaram quedas significativas. Os pesquisadores associam esse declínio a uma combinação de fatores estruturais, incluindo fragilidades nos sistemas agrícolas, limitações sanitárias e impactos recorrentes de doenças.
A criação de suínos no nordeste da Índia vai além da dimensão econômica, desempenhando papel central na organização social e cultural, especialmente entre comunidades tribais e populações marginalizadas. No entanto, o predomínio de sistemas de criação de pequena escala, frequentemente em quintais, aliado à infraestrutura veterinária desigual e ao comércio informal de animais vivos, aumenta a vulnerabilidade da região a surtos sucessivos de PSA.
O estudo conclui que, sem avanços consistentes em vigilância sanitária, biosseguridade, assistência veterinária e políticas públicas adaptadas à realidade local, a PSA continuará a comprometer não apenas a suinocultura regional, mas também a segurança alimentar, a preservação de raças nativas e a estabilidade socioeconômica do nordeste indiano.
Referência: EastMojo











