
Um experimento conduzido pela Embrapa Suínos e Aves chamou a atenção do setor agropecuário ao transformar água tratada proveniente de dejetos de suínos em uma cerveja experimental, levantando um importante debate sobre o potencial do reúso de água na produção agroindustrial.
A iniciativa, desenvolvida ao longo de cerca de dez anos, não teve fins comerciais. O objetivo foi demonstrar, de forma técnica e científica, que a água resultante do tratamento de resíduos da suinocultura pode atingir padrões elevados de qualidade, desde que submetida a processos rigorosos de tratamento e controle sanitário.
O projeto resultou na produção de aproximadamente 40 litros de cerveja, elaborada exclusivamente como prova de conceito. Segundo os pesquisadores, a proposta não foi incentivar o consumo, mas sim mostrar o nível de eficiência que as tecnologias de tratamento podem alcançar, ampliando o debate sobre o uso racional da água em um cenário de crescente pressão sobre os recursos hídricos.
Tratamento avançado e segurança sanitária
Os dejetos suínos são compostos majoritariamente por água — entre 94% e 99%. No experimento, esse material passou por diversas etapas de tratamento, incluindo separação de sólidos, digestão, remoção de nutrientes como nitrogênio e fósforo, além de processos de purificação capazes de enquadrar o efluente dentro dos padrões ambientais exigidos pela legislação brasileira.
De acordo com a Embrapa, a água obtida após o tratamento atende aos critérios legais para reúso e descarte ambiental, podendo ser reaproveitada em atividades produtivas. A produção da cerveja serviu como um exemplo extremo e didático, demonstrando o nível de segurança alcançado pelo sistema.
Sustentabilidade e inovação no centro do debate
A iniciativa reforça o papel da pesquisa científica no desenvolvimento de soluções sustentáveis para a suinocultura, setor que enfrenta desafios crescentes relacionados à gestão de resíduos, consumo de água e exigências ambientais.
Além de reduzir a pressão sobre mananciais naturais, o reaproveitamento de efluentes contribui para a diminuição de odores, controle de emissões e melhor aproveitamento de nutrientes, alinhando-se aos princípios da economia circular.
Embora a utilização direta da água para consumo humano não seja o foco da pesquisa, a experiência amplia a discussão sobre o futuro do reúso hídrico no Brasil, especialmente em um cenário de mudanças climáticas e escassez de recursos naturais.
A tecnologia desenvolvida pela Embrapa já vem sendo transferida para sistemas produtivos e demonstra como a inovação pode transformar passivos ambientais em soluções sustentáveis para o agronegócio.











