
A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, recebeu no dia 2 de fevereiro uma comitiva formada por seis deputados integrantes do Comitê de Agricultura e Alimentação do Parlamento da Alemanha. A visita teve como objetivo entender os fatores que levaram o Brasil a se tornar uma referência mundial em agricultura tropical. Também participaram do encontro a diretora de Inovação, Negócios e Transferência de Tecnologia, Ana Euler, e o chefe da Assessoria de Relações Internacionais (ARIN), Marcelo Morandi.
De acordo com a ARIN, a delegação alemã está no Brasil em uma missão de dez dias para aprofundar o conhecimento sobre o setor agropecuário nacional. Além da Embrapa, os parlamentares devem visitar instituições como a CNA e o Ministério da Agricultura, além de propriedades rurais nos biomas Cerrado e Amazônia, regiões Sul e Sudeste, a Embrapa Soja, a Coopavel e outras organizações ligadas ao agro brasileiro.
O interesse dos deputados se justifica pela relevância da Alemanha no comércio internacional. Maior economia da União Europeia e grande exportadora de produtos agrícolas, o país é também um dos principais destinos das exportações do agro brasileiro e tem se posicionado de forma favorável ao acordo entre a União Europeia e o Mercosul.
Durante a reunião, Silvia Massruhá apresentou um panorama histórico da evolução da agricultura no Brasil, destacando a transição de um modelo de baixa produtividade, intensivo em mão de obra (agricultura 1.0), para um estágio avançado, a chamada agricultura 5.0, caracterizada pelo uso de tecnologias como inteligência artificial, robótica, automação, biologia sintética e sistemas digitais já incorporados por parte dos produtores.
A presidente também abordou os avanços científicos que tornaram a produção mais sustentável e os próximos desafios, especialmente a construção da agricultura 6.0. Esse novo estágio envolve sistemas produtivos regenerativos e resilientes, economia circular, bioenergia, biocombustíveis, créditos de carbono e a integração de diferentes áreas do conhecimento, como biologia, nanotecnologia e tecnologia da informação.
Além disso, Massruhá destacou a agenda estratégica da Embrapa, voltada para a continuidade da revolução sustentável no campo, a transição nutricional e de saúde única, a transição energética, o enfrentamento das mudanças climáticas, a inclusão produtiva e digital da agricultura familiar e a manutenção da liderança tecnológica nos trópicos.
Como foi feito
Hermann Färber, deputado da coligação União Democrata Cristã/União Social Cristã e presidente do Comitê de Agricultura e Alimentação, afirmou ter ficado impressionado com a rápida transformação da agricultura brasileira. Segundo ele, produtores e a sociedade alemã ainda demonstram grande resistência à adoção de inovações no campo. Por isso, questionou como a Embrapa conseguiu alcançar ampla aceitação entre agricultores e a população urbana em cerca de 50 anos.
Em resposta, Silvia Massruhá explicou que a Embrapa iniciou suas atividades investindo fortemente na capacitação de produtores, na participação ativa na formulação de políticas públicas e na solução de gargalos como o abastecimento alimentar das cidades, fator que aproximou a empresa da sociedade urbana. Ana Euler complementou destacando que a transferência de tecnologia contou com o envolvimento de diversos atores, como assistência técnica pública, empresas de insumos, cooperativas, agroindústrias e associações de produtores.
Marcelo Morandi ressaltou ainda o papel da comunicação social, especialmente por meio da grande mídia, na divulgação dos impactos positivos da agricultura brasileira, como a redução do custo dos alimentos, a geração de empregos, o aumento da renda e os ganhos ambientais, o que contribuiu para o apoio da população às ações da Embrapa.
Ao tratar da recuperação de solos degradados, tema levantado pela deputada Franziska Kersten, do Partido Social Democrata, a presidente explicou que a estratégia da Embrapa envolve o mapeamento das áreas degradadas, a avaliação da aptidão agrícola e a definição de manejos adequados com base em pesquisas, além do apoio aos produtores por meio de crédito rural. Ana Euler destacou que vários projetos nesse campo, especialmente na Amazônia e no Cerrado, contam com financiamento relevante de agências alemãs de cooperação científica.
Por fim, em resposta à deputada Ophelia Nick, da coligação Aliança 90/Os Verdes, sobre a aceitação das questões climáticas pelos agricultores, Massruhá afirmou que a Embrapa trabalha com a integração entre produção e conservação, sem tratá-las como escolhas excludentes. Morandi acrescentou que adaptação e mitigação das mudanças climáticas caminham juntas, já que a adaptação das espécies produtivas contribui para reduzir os impactos climáticos, e vice-versa.










