
Mercados globais reagem às tarifas de Trump:
Nesta quinta-feira, os mercados mundiais experimentaram turbulência após o anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, de tarifas recíprocas sobre bens importados. A medida gerou quedas nas bolsas de valores e uma corrida de investidores para ativos considerados seguros, como títulos, ouro e iene.
Reações do mercado e especialistas:
- Analistas como Lee Hardman (MUFG) expressaram preocupação com o impacto negativo das tarifas na economia dos EUA, prevendo uma possível desaceleração e cortes nas taxas do Federal Reserve.
- Sandra Ebner (Union Investment) acredita que as tarifas servirão como ponto de partida para negociações, visando a UE e a China, com exclusão de México e Canadá.
- Nicholas Rees (Monex Europe) alertou para o risco de uma escalada nas barreiras tarifárias globais, caso a China retaliasse significativamente.
- Jessica Henry (Federated Hermes Limited) destacou a incerteza contínua nos mercados devido a possíveis retaliações da UE e do Reino Unido.
- Justin Onuekwusi (St James’s Place) elevou o risco de recessão global de 15% para 35%, prevendo uma “espiral de desgraça” tarifária.
Impacto no agronegócio brasileiro:
Embora o Brasil tenha recebido uma das menores tarifas (10%), o setor agrícola brasileiro sentirá os efeitos da política comercial de Trump. Alguns segmentos estão particularmente expostos:
- Produtos Florestais: Lideram as exportações para os EUA, com US$ 3,73 bilhões em 2024. Celulose é o principal produto, com 3,02 milhões de toneladas exportadas.
- Café: Os EUA são o principal destino das exportações brasileiras. Em 2024, foram exportadas 471,53 mil toneladas, gerando US$ 2,07 bilhões.
- Carnes: O setor gerou US$ 1,4 bilhão em receita em 2024. Carne bovina in natura é o principal produto, com 189,24 mil toneladas exportadas.
- Suco de Laranja: Exportações totalizaram US$ 1,19 bilhão em 2024. O Brasil ocupa um espaço importante no mercado americano devido à queda na produção dos EUA.
- Complexo Sucroalcooleiro: Exportações somaram US$ 794,28 milhões em 2024. Açúcar bruto e álcool etílico são os principais produtos.
Perspectivas e desafios:
Especialistas acreditam que o Brasil pode se beneficiar da menor tarifa em comparação com outros países, aumentando sua competitividade. Há incertezas sobre como as tarifas serão aplicadas a produtos com cotas preferenciais, como carne bovina e açúcar.
O setor teme que o “tarifaço” pressione o Brasil a abrir mão de tarifas sobre a importação de etanol dos EUA. Apesar dos desafios, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), se mantém otimista em relação às exportações de carne para os Estados Unidos.
Reações de empresas e associações:
- Empresas como Lavazza e Ferrari ajustam suas estratégias diante das novas tarifas.
- Associações como Copa-Cogeca e ACEA pedem esforços diplomáticos para evitar interrupções nas cadeias de suprimentos.
- Associações brasileiras, como a Abiec, se mostram positivas com as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
As tarifas de Trump geraram incerteza nos mercados globais e impactarão diversos setores, incluindo o agronegócio brasileiro. Embora haja oportunidades de ganho de competitividade, o setor enfrenta desafios e incertezas que exigirão atenção e adaptação.
Com informações da Reuters e Globo Rural.











