
A Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), característica do verão e responsável por canalizar umidade entre as regiões Norte e Sudeste, continua influenciando o tempo no Brasil e mantendo a atenção para episódios de chuva intensa na semana que antecede o Carnaval, principalmente no Centro-Sul do país.
Apesar do cenário ainda instável, os prognósticos meteorológicos já apontam para uma perda gradual de força do sistema nos próximos dias. Com isso, a expectativa é de diminuição dos acumulados de chuva e abertura de períodos mais secos nos estados que vêm sendo mais afetados pela atuação da ZCAS, explica o meteorologista Guilherme Borges, da FieldPRO.
Segundo ele, essa transição no padrão atmosférico deve começar a ser notada a partir de quarta-feira (11/2).
“Embora a nebulosidade ainda seja predominante, o sistema já entra em fase de enfraquecimento. A partir do meio da semana, a tendência é de redução mais significativa das chuvas em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e em grande parte do Centro-Oeste, com menor persistência dos volumes elevados”, avalia.
Até o final da noite desta terça-feira (10/2), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém alerta laranja, classificado como de perigo, para áreas do Sudeste, que registraram acumulados expressivos nos últimos dias. Estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste também seguem sob o mesmo nível de alerta.
Há chance de nova ZCAS?
Como se trata de um fenômeno de curta duração, os modelos meteorológicos atualmente não indicam a formação de uma nova ZCAS ao longo de fevereiro, mesmo com as condições típicas do verão favorecendo a ocorrência de instabilidades. Isso, no entanto, não elimina totalmente a possibilidade de novos episódios.
“Para que a ZCAS se configure, é necessária a atuação conjunta de diferentes sistemas atmosféricos, como ciclones extratropicais, a Alta da Bolívia ou o VCAN no Nordeste. Ainda estamos em um período do ano bastante chuvoso, inclusive em março. Novos corredores de umidade podem surgir, mas, no curto e médio prazo, esse cenário não aparece com clareza nas previsões”, explica Borges.
Além do Sudeste e do Centro-Oeste, a atuação do sistema também impactou áreas do Norte, especialmente Pará, Rondônia e Tocantins, e do Nordeste, com destaque para o sul da Bahia. Nessas regiões, a tendência igualmente aponta para enfraquecimento das instabilidades.
“A ZCAS costuma deixar o tempo bastante irregular e pode se posicionar mais ao norte ou ao sul do país. Neste verão, ela tem atuado um pouco mais deslocada para o Norte, mas, historicamente, os maiores impactos recaem sobre o Centro-Oeste e o Sudeste”, acrescenta o meteorologista.
Cenário após a dissipação do sistema
Com a perda de organização da ZCAS e sem indicativos de nova formação em fevereiro, as chuvas devem continuar ocorrendo no país, porém de maneira mais espaçada e com menor intensidade. O padrão típico do verão volta a predominar, com pancadas rápidas, geralmente no fim da tarde, impulsionadas pelo calor.
“A estação favorece esse tipo de chuva convectiva, menos persistente. Além disso, outros sistemas atmosféricos seguem influenciando o tempo, como frentes frias e cavados. Esse é o comportamento que deve marcar os próximos dias”, conclui Borges.











