
O conteúdo a seguir foi publicado na edição nº 932 da revista Avicultura Industrial, de 1987, e traz uma análise técnica sobre a Doença de Gumboro, uma das enfermidades virais mais desafiadoras para a avicultura comercial. Naquele período, pesquisadores da Embrapa Suínos e Aves (então conhecida como CNPSA) já identificavam a influência dos anticorpos maternos na eficácia das vacinas, reforçando a necessidade de estratégias imunológicas personalizadas por lote. O texto destaca também os sinais clínicos, o impacto produtivo e as medidas de biosseguridade necessárias para o controle da doença.
CNPSA estuda a influência da imunidade passiva na vacinação de frango contra a doença de Gumboro
A Doença de Gumboro, também conhecida como Doença Infecciosa da Bursa (DIB), é uma enfermidade viral aguda que afeta principalmente aves entre 3 e 6 semanas de idade. Identificada pela primeira vez em 1957, no estado de Delaware (EUA), a doença provoca severos danos ao sistema imunológico das aves, resultando em imunossupressão, perdas econômicas e redução no desempenho zootécnico dos lotes.
Os sinais clínicos típicos incluem abatimento, penas eriçadas, diarreia aquosa e elevada morbidade. A mortalidade média gira entre 5% e 6%, podendo chegar a 30% em surtos mais graves. Há ainda a forma subclínica, que atinge pintos com menos de duas semanas de idade. Nesses casos, as aves não aparentam estar doentes, mas tornam-se altamente suscetíveis a outras enfermidades devido à destruição da bolsa de Fabricius — órgão essencial para a resposta imunológica.
Estudos conduzidos pelo Centro Nacional de Pesquisa de Suínos e Aves da Embrapa (CNPSA), em Concórdia (SC), demonstraram que a eficácia da vacinação nos primeiros dias de vida depende diretamente da presença de anticorpos maternos. Pintinhos oriundos de matrizes vacinadas (com imunidade passiva) podem inibir a resposta à vacina, exigindo estratégias adaptadas de imunização.
No experimento, aves com e sem anticorpos maternos foram divididas em grupos e vacinadas via ocular. Os resultados mostraram que a imunidade passiva interfere na formação da imunidade ativa, o que reforça a necessidade de protocolos vacinais ajustados à realidade imunológica do lote.
Na forma aguda, a bolsa de Fabricius apresenta-se edemaciada, com coloração amarelada ou hemorrágica. Já na forma crônica, há atrofia e fibrose do órgão. Como as aves adultas não possuem mais a bolsa funcional, são resistentes à infecção.
A prevenção da Doença de Gumboro deve se basear em um bom programa vacinal, aliado a rigorosas práticas de biosseguridade e controle sanitário. A correta vacinação das matrizes é fundamental para garantir a proteção dos pintos nas primeiras semanas de vida.
Uma vez introduzido em uma granja, o vírus tende a persistir no ambiente e afetar outros lotes, mesmo com vacinação. Por isso, o controle da Doença de Gumboro é um desafio constante para a avicultura industrial, exigindo vigilância permanente, estratégias de vacinação eficazes e diagnóstico precoce.











