
O lodo de águas residuais da avicultura tratado por eletrocoagulação pode, em breve, assumir um papel inesperado na produção sustentável de proteínas. Uma nova pesquisa investiga seu uso como fonte de alimentação para larvas da mosca-soldado-negra (BSFL), abrindo caminho para soluções alinhadas à economia circular.
Com o aumento da demanda por fontes alternativas de proteína, especialmente para a aquicultura, as larvas da mosca-soldado-negra vêm ganhando destaque como substitutas sustentáveis à farinha de peixe. A capacidade desses insetos de se desenvolverem a partir de resíduos orgânicos reforça seu potencial em sistemas produtivos mais eficientes e ambientalmente responsáveis.
Pesquisadores da Universidade Purdue, em Indiana (EUA), avaliaram se o lodo de águas residuais provenientes da lavagem de ovos e do abate de aves poderia ser utilizado de forma segura e eficaz como fonte de umidade na dieta das larvas. A alimentação sólida foi baseada na Dieta de Gainesville, composta por farelo de trigo, farinha de alfafa e farinha de milho, enquanto o lodo tratado forneceu a umidade necessária.
As águas residuais passaram por processos de eletrocoagulação e floculação, utilizando eletrodos de alumínio ou ferro. No caso da lavagem de ovos, os eletrodos de alumínio removeram 81% dos detritos orgânicos, 62% da amônia e 91% do fosfato. Já os eletrodos de ferro alcançaram 84,4% de remoção de detritos orgânicos e 92% de amônia.
Resultados ainda mais expressivos foram observados nas águas residuais do abate de patos. Os eletrodos de alumínio removeram 98,21% dos detritos orgânicos, enquanto ambos os tipos de eletrodos superaram 99% de eficiência na remoção de fosfato em condições otimizadas.
A composição do lodo variou conforme a origem e o tratamento, com destaque para o lodo do abate de patos tratado com ferro, que apresentou os maiores teores de sólidos totais e inorgânicos. Quando utilizados na alimentação das larvas, tanto o lodo eletrocoagulado quanto o floculado promoveram crescimento expressivo, com aumento de peso entre cinco e oito vezes. O melhor desempenho foi registrado nas larvas alimentadas com lodo eletrocoagulado do abate de patos, com ganho médio de 7,7 vezes.
O desenvolvimento larval também foi acompanhado. As larvas alimentadas com lodo tratado com alumínio apresentaram menor taxa de pupação ao longo de 15 dias, indicando que o tipo de resíduo e o método de tratamento podem influenciar o ritmo de maturação.
Com avanços adicionais, como a integração da eletrocoagulação à digestão anaeróbica para recuperação de biogás, as águas residuais da avicultura podem se transformar em um insumo estratégico para a produção de ração à base de insetos. O estudo reforça o potencial de reaproveitamento de resíduos como base para a próxima geração de proteínas sustentáveis destinadas à aquicultura global.
Referências: Poultry World











