
O consumo de ovos na França alcançou um nível recorde em 2025, impulsionado pela acessibilidade do produto em um cenário de incerteza econômica. A tendência, segundo representantes do setor, deve se manter nos próximos anos, levando os produtores a ampliar a capacidade instalada com a construção de novos galinheiros.
De acordo com a Associação Nacional Interprofissional do Ovo (CNPO), cada francês consumiu, em média, 237 ovos ao longo de 2025, considerando ovos com casca e produtos processados à base de ovos. O volume representa avanço em relação aos 227 ovos registrados em 2024 e reflete o fortalecimento da demanda por proteínas de menor custo.
O aumento do consumo não se restringe à França. Em toda a Europa e também em outros mercados globais, os ovos vêm ganhando espaço por sua versatilidade, valor nutricional e boa relação custo-benefício, adequando-se a diferentes hábitos alimentares.
Projeções do instituto técnico francês ITAVI indicam que a demanda continuará crescendo de forma consistente. A estimativa é que, até 2035, o consumo anual chegue a 269 ovos por habitante, sendo cerca de 70% na forma de ovos com casca.
Segundo analistas de mercado, o movimento ganhou força durante a pandemia de covid-19, quando o consumo doméstico aumentou de forma expressiva. No entanto, ao contrário do esperado, a demanda não arrefeceu após o período mais crítico da crise sanitária e passou a crescer de maneira estrutural.
A pressão da demanda refletiu nos preços no atacado, que subiram cerca de 20% no último ano, conforme dados do FranceAgriMer. No varejo, porém, os preços dos ovos com casca permaneceram relativamente estáveis, sustentados por um mecanismo governamental que vincula os valores praticados nos supermercados aos custos enfrentados pelos produtores.
Apesar do aumento da produção interna, o ritmo não tem sido suficiente para acompanhar o crescimento do consumo. Para atender ao mercado, a indústria francesa de ovos planeja a construção de 575 novos aviários até 2035, o que permitirá a incorporação de aproximadamente 10 milhões de galinhas poedeiras ao plantel nacional.
Enquanto isso, a França vem ampliando a dependência de importações. Em 2025, as compras externas de ovos cresceram 21%, com destaque para Espanha, Bélgica e Países Baixos como principais fornecedores. Embora os embarques diretos da Ucrânia permaneçam limitados, parte dos ovos de origem ucraniana chega ao mercado francês por meio de outros países da União Europeia.
A Ucrânia segue como o principal fornecedor externo de ovos para o bloco europeu. Nos primeiros dez meses de 2025, as importações da União Europeia provenientes do país avançaram 67%, segundo dados oficiais do bloco.











