
A Comissão Europeia propôs adiar a entrada em vigor do Regulamento Florestal da UE (EUDR) por mais um ano. A nova data de aplicação, que estava prevista para dezembro de 2025, deve ser postergada. A proposta foi bem recebida pelos setores de ração do Reino Unido e da UE.
A decisão de adiamento, comunicada pela Comissária Europeia do Meio Ambiente, Jessika Roswall, é motivada por preocupações com o funcionamento da plataforma de TI necessária para gerenciar os grandes volumes de dados de due diligence exigidos pela regulamentação. Roswall alertou que, sem o adiamento, a Comissão avalia que haveria uma “desaceleração do sistema a níveis inaceitáveis ou mesmo interrupções repetidas e duradouras”, impactando negativamente as empresas.
A EUDR exige que importadores de soja, óleo de palma, café, cacau, carne bovina e madeira demonstrem que seus produtos não foram cultivados em terras desmatadas após dezembro de 2020. Embora a regulamentação não seja da UE, ela afeta o preço e a disponibilidade de soja em conformidade para fabricantes de ração do Reino Unido.
Reações do Setor e Críticas
A Confederação das Indústrias Agrícolas (AIC) descreveu o atraso proposto como uma “medida pragmática e necessária” para evitar interrupções e garantir a prontidão da cadeia de abastecimento da UE. A Federação Europeia de Fabricantes de Alimentos Compostos para Animais (FEFAC) também acolheu a decisão, citando a insuficiente disponibilidade de soja em conformidade com a EUDR para atender à demanda anual de mais de 30 milhões de toneladas da UE. A FEFAC instou a Comissão a incluir a EUDR no pacote de simplificação geral para reduzir os encargos administrativos.
Contudo, a parlamentar alemã Christine Schneider, que lidera as negociações do dossiê, comemorou o adiamento, mas afirmou que ele “demonstra claramente que os problemas são mais profundos” e não podem ser resolvidos apenas com mais tempo.
Em contraste, o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) descreveu o adiamento proposto como “embaraçoso”, alegando que isso geraria custos enormes para as empresas que já investiram em conformidade e resultaria em perda de prestígio para a Presidente da Comissão, Von der Leyen.
A decisão precisa ser ratificada pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho, mas a aprovação é amplamente esperada. Roswall também deixou a porta aberta para “simplificar” a regulamentação além do atraso, em discussões com os ministros da UE.
Referência: Pig World











