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Internacional

No Reino Unido, fazendas têm quase 100 mil suínos em excesso

Escassez de dióxido de carbono poderia agravar ainda mais o problema

No Reino Unido, fazendas têm quase 100 mil suínos em excesso

A falta de mão de obra em abatedouros do Reino Unido deixa fazendas de suínos abarrotadas com 95 mil animais em excesso, e uma iminente escassez de dióxido de carbono poderia agravar ainda mais o problema.

Agricultores recorrem a todas as instalações disponíveis para abrigar os animais, de estábulos a galpões de armazenamento de batatas, disse Zoe Davies, diretora-presidente da Associação Nacional de Suínos. Mas a solução não é de longo prazo, e uma série de fatores que afetam a indústria ao mesmo tempo – como o Brexit, a pandemia e a escassez de gás – resultaram em uma “tempestade perfeita” de más condições, disse.

Nick Allen, CEO da Associação Britânica dos Processadores de Carne, disse à Bloomberg TV na segunda-feira que 80% dos suínos e aves no Reino Unido são abatidos com o uso de CO2 e há pouca margem para mudar o processo para suínos, pois o método é considerado o mais adequado. O dióxido de carbono é um derivado da produção de fertilizantes, e algumas fábricas do insumo têm sido fechadas devido à crise energética.

“Se perdermos CO2, não poderemos operar, e a consequência será que esses animais vão ficar na fazenda. É quase impensável”, disse Allen. “Na pior das hipóteses, se o CO2 acabar, cerca de quatro ou cinco dias depois, as prateleiras ficarão vazias de carnes suína e de aves britânicas. Será rápido assim.”

O secretário de Negócios do Reino Unido, Kwasi Kwarteng, disse ao Parlamento na segunda-feira que trabalha com o Departamento de Meio Ambiente, Alimentos e Assuntos Rurais e com o Tesouro para ajudar a aliviar o déficit de CO2.

“Estamos ansiosos para levar adiante planos muito em breve para garantir fornecimento consistente e regular de CO2”, disse Kwarteng em resposta a perguntas sobre a crise da oferta de gás natural no Reino Unido, o que elevou os preços.

No entanto, suinocultores já reduziram o número de porcas reprodutoras em cerca de 5%, embora demore cerca de 9 a 10 meses para que a medida reduza os plantéis, segundo Davies. O grupo classificou a situação como a pior crise do setor em duas décadas, e a Associação Britânica dos Processadores de Carne alertou que produtores poderiam ter que sacrificar os animais nas fazendas se os problemas de CO2 não forem resolvidos rapidamente.

“Estão muito assustados, porque simplesmente não sabem qual será o final do jogo”, disse Davies.