
O avanço do acordo Mercosul–União Europeia no Congresso Nacional trouxe novamente ao centro do debate os impactos do tratado sobre o agronegócio brasileiro. Durante reunião da Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul), realizada nesta terça-feira (10), parlamentares ligados à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) defenderam a aprovação do texto, mas destacaram a necessidade de atenção às salvaguardas negociadas com os europeus.
A avaliação predominante é de que o acordo amplia o acesso a mercados estratégicos, mas pode impor limitações a setores sensíveis no curto prazo. Para a bancada, o desafio será equilibrar abertura comercial, competitividade interna e previsibilidade para produtores e agroindústrias.
Oportunidades e restrições previstas no acordo
O tratado prevê a eliminação ou redução gradual de até 90% das tarifas comerciais entre os blocos ao longo de dez anos. Com isso, o agronegócio brasileiro pode ampliar sua presença em um mercado estimado em cerca de 700 milhões de consumidores.
Por outro lado, parlamentares alertam que as salvaguardas incluídas no acordo podem limitar o crescimento das exportações de alguns produtos.
Visão da Frente Parlamentar da Agropecuária
A senadora Tereza Cristina (PP-MS), vice-presidente da FPA no Senado, afirmou que o acordo é resultado de um processo diplomático construído ao longo de mais de duas décadas. Segundo ela, embora concessões façam parte de qualquer negociação internacional, é essencial acompanhar de perto os mecanismos de proteção adotados pela União Europeia.
A parlamentar citou que restrições graduais a produtos como carnes e açúcar podem afetar o ritmo de expansão do agro brasileiro, reforçando a importância da reciprocidade e da comprovação da sustentabilidade do sistema produtivo nacional.
Setores sensíveis e assimetrias entre os blocos
A deputada Ana Paula Leão (PP-MG) destacou preocupação com a cadeia leiteira, especialmente diante da concorrência com produtos europeus subsidiados. Para ela, o impacto não se limita ao volume importado, mas também aos preços praticados, o que pode pressionar o mercado interno.
Já o deputado Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR) apontou diferenças estruturais entre Mercosul e União Europeia, como políticas de subsídios e níveis de renda, defendendo medidas internas que fortaleçam a indústria e a agroindústria brasileiras.
Tramitação e próximos passos
Durante o encontro, parlamentares também ressaltaram o caráter estratégico do acordo para o posicionamento internacional do Brasil. Ao final do debate, a votação do parecer foi adiada após pedido de vista, com retorno à pauta previsto para o dia 24 de fevereiro.
Caso aprovado no Parlasul, o texto será transformado em projeto de decreto legislativo e seguirá para análise da Câmara dos Deputados e do Senado, em regime de urgência, marcando uma etapa decisiva na consolidação do acordo Mercosul–União Europeia.
Referência: FPA











