
A avicultura egípcia enfrenta uma crise marcada por superprodução severa e preços de mercado abaixo dos custos operacionais, cenário que tem levado produtores a pressionarem o governo por medidas urgentes para viabilizar a exportação de aves e ovos, especialmente para países africanos e árabes.
De acordo com a Federação Geral dos Produtores de Aves, o Egito registra atualmente um excedente interno estimado entre 15% e 20% da produção anual. O país produz cerca de 2,4 milhões de toneladas de carne de frango e aproximadamente 16,6 bilhões de ovos por ano, o que pode resultar em um excedente superior a 120 mil toneladas de frango, além de bilhões de ovos sem destino no mercado doméstico.
A situação é agravada pela retração do consumo interno. A perda do poder aquisitivo da população reduziu significativamente a demanda, fazendo com que o consumo per capita de carne de frango caísse de 13,7 quilos para cerca de 9 quilos nos últimos anos. Com isso, os preços pagos ao produtor chegaram a 65 libras egípcias por quilo, enquanto os custos de produção variam entre 67 e 68 libras egípcias, pressionando a rentabilidade das granjas e a sustentabilidade do setor.
Diante desse cenário, a Federação Geral dos Produtores Avícolas encaminhou um memorando urgente ao Ministério da Agricultura solicitando a abertura de novos mercados de exportação no continente africano. Segundo Mahmoud El-Anani, diretor da entidade, a inserção mais consistente da avicultura egípcia no comércio internacional poderia fortalecer de forma relevante a balança comercial do país. A estimativa é de que a comercialização do excedente para países árabes e africanos gere receitas superiores a US$ 600 milhões por ano.
O dirigente destacou que diversos países africanos apresentam déficit na oferta de produtos avícolas, entre eles Líbia, Djibuti, Costa do Marfim, Quênia, Gana, Tanzânia e Mauritânia, o que representa oportunidades estratégicas para o Egito. Para avançar nesse processo, El-Anani defendeu que as autoridades veterinárias egípcias convidem representantes dos serviços veterinários desses países a conhecerem a estrutura produtiva nacional, incluindo abatedouros e plantas de processamento.
Apesar de já exportar ovos férteis, pintinhos de um dia, produtos avícolas processados e aves congeladas semi-fritas, o Egito ainda encontra dificuldades para liberar a exportação de carcaças inteiras de aves. Segundo representantes do setor, o principal entrave continua sendo as restrições sanitárias associadas à influenza aviária.
Mohamed Saleh, membro da Federação, relembra que, antes de 2006, o Egito chegava a faturar cerca de US$ 720 milhões anuais com exportações de produtos avícolas para países vizinhos. Desde então, os impactos recorrentes da gripe aviária comprometeram o acesso a mercados externos, e o setor ainda busca uma recuperação plena. A abertura de novos destinos de exportação é vista como fundamental para aliviar o excesso de oferta, reequilibrar preços e garantir a continuidade da avicultura egípcia.
Referência: Poultry World











