
A produtividade divulgada na suinocultura reflete, de fato, a realidade econômica das granjas? Em comentário divulgado agora, no início de fevereiro, o analista internacional Jim Long chama atenção para um indicador que, segundo ele, traduz melhor o desempenho do setor: o número de suínos efetivamente abatidos por matriz ao ano.
Com base nos dados consolidados dos Estados Unidos e do Canadá, Long aponta que a média atual é de 20,55 suínos abatidos por reprodutora ao ano, considerando o plantel reprodutor combinado dos dois países e o volume total de abates, incluindo o descarte de matrizes. O cálculo também leva em conta o fluxo de animais entre os dois mercados para terminação e abate.
Segundo o analista, o indicador está bem abaixo dos números frequentemente divulgados de 30 ou mais leitões desmamados por fêmea e revela um desafio estrutural da suinocultura norte-americana. Na avaliação de Long, o foco excessivo em grandes leitegadas pode mascarar perdas ao longo do ciclo produtivo, uma vez que o que define a eficiência econômica é o número de suínos vendidos como animais de valor pleno.
Rentabilidade sob pressão de custos
O comentário também questiona os modelos de rentabilidade utilizados pelo setor diante da elevação generalizada dos custos de produção. Dados da Iowa State University indicam que, em 2025, a lucratividade média dos sistemas de ciclo completo teria sido de cerca de US$ 22,50 por animal. Para Long, esse resultado merece análise cautelosa, considerando o impacto da inflação sobre insumos, energia e mão de obra.
Carne bovina sustenta preços do suíno
No mercado de proteínas, o analista destaca que a suinocultura segue beneficiada pela redução contínua do rebanho bovino nos Estados Unidos, que registra o sétimo ano consecutivo de queda. O relatório anual mais recente indica diminuição adicional do número de vacas de corte, queda de 2% na produção de bezerros e redução do inventário total de bovinos.
Com preços recordes da carne bovina — com valores de cortes até quatro vezes superiores aos da carne suína —, Long avalia que a proteína suína deve continuar sendo favorecida como alternativa no consumo de carnes vermelhas. Os contratos futuros de suínos magros indicam, segundo ele, perspectiva de boa rentabilidade em 2026, salvo a ocorrência de eventos extraordinários.
Carne suína geneticamente editada acende alerta
Outro ponto central do comentário é a decisão do governo canadense de autorizar a produção e a comercialização de carne suína geneticamente editada, sem exigência de rotulagem específica. Long avalia que a medida representa um risco comercial relevante, sobretudo para um país que exporta cerca de 70% de sua produção de carne suína.
O analista lembra experiências anteriores, como o uso da ractopamina, que acabaram sendo abandonadas após restrições impostas por mercados importadores. Na avaliação de Long, a resistência do consumidor a produtos geneticamente editados, evidenciada em pesquisas independentes, pode resultar em perda de mercados, destruição de demanda e pressão sobre preços.
Grandes frigoríficos canadenses, como a duBreton, já manifestaram preocupação com a ausência de rotulagem e com os potenciais impactos na comercialização. Para Long, a adoção de tecnologias genéticas sem garantia clara de aceitação pelo mercado pode levar a uma diferenciação negativa frente a concorrentes globais, como o Brasil, que mantém status sanitário favorável e tende a evitar esse tipo de tecnologia.
No caso do México, principal destino da carne suína dos Estados Unidos, Long ressalta que qualquer restrição adicional às importações poderia gerar impactos diretos nos preços internos do suíno norte-americano, reforçando a necessidade de cautela por parte da cadeia produtiva.











