
Por que o preço do suíno vem caindo de forma tão intensa nas últimas semanas? De acordo com levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a tendência de baixa no mercado suinícola nacional, iniciada há cerca de três semanas, segue firme e já provoca impactos relevantes sobre a rentabilidade do produtor. Em apenas um mês, as desvalorizações no mercado independente (spot) chegam a 20%, refletindo um cenário de pressão sobre o setor.
Segundo os pesquisadores do Cepea, o movimento de queda tem levado muitos produtores a negociarem o suíno vivo a valores muito próximos — ou até inferiores — aos praticados na produção integrada, situação considerada atípica para o mercado.
Preço do suíno independente se aproxima do integrado
Historicamente, as cotações do suíno no mercado independente operam acima das da produção integrada, justamente por envolverem custos mais elevados, como alimentação, manejo e comercialização por conta própria.
No entanto, o atual cenário de recuo nas cotações tem reduzido essa diferença. Conforme o Cepea, a pressão sobre os preços faz com que o produtor independente perca competitividade e margem, passando a negociar em níveis semelhantes — ou até inferiores — aos contratos integrados, o que acende um alerta para a sustentabilidade da atividade.
Queda ocorre após semanas de pressão no mercado
A tendência de baixa teve início há cerca de três semanas e se intensificou ao longo de janeiro, impulsionada por fatores como:
- oferta elevada de animais para abate;
- ritmo mais lento da demanda interna;
- ajustes nos preços pagos pelos frigoríficos;
- maior cautela dos compradores diante do cenário econômico.
Esse conjunto de fatores contribuiu para o recuo expressivo observado no mercado spot, afetando diretamente a rentabilidade do produtor independente.
Carne suína brasileira lidera competitividade no mercado internacional
Apesar do cenário desafiador no mercado doméstico, a carne suína brasileira manteve forte competitividade no comércio internacional em 2025, conforme dados da UN Comtrade, da Organização das Nações Unidas (ONU) analisados pelo Cepea.
O Brasil, terceiro maior exportador mundial de carne suína, registrou valor médio de US$ 2,57 por quilo exportado, o mais competitivo entre os principais players globais.
Para efeito de comparação:
- Estados Unidos: US$ 3,18/kg
- União Europeia: US$ 3,18/kg
Os números reforçam a posição do Brasil como fornecedor estratégico no mercado internacional, especialmente em um contexto de forte concorrência global.
Mercado segue atento à evolução dos preços
O Cepea destaca que, apesar da competitividade externa, o mercado interno segue pressionado, exigindo atenção dos produtores quanto ao planejamento da produção e à gestão de custos.
A evolução da oferta, o comportamento da demanda doméstica e o ritmo das exportações devem continuar sendo fatores determinantes para a recuperação — ou não — das cotações do suíno vivo nas próximas semanas.











