
O que está por trás da queda expressiva dos preços na cadeia suinícola neste início de ano? As cotações de praticamente todos os produtos do setor vêm recuando de forma significativa na maior parte das praças acompanhadas pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). O movimento de baixa, observado atualmente (22/01), reflete uma combinação de fatores sazonais e de mercado, com destaque para o enfraquecimento da demanda e o aumento da oferta.
Segundo agentes consultados pelo Centro de Pesquisas, o período de férias escolares tem impactado diretamente o consumo, reduzindo o ritmo das compras no mercado interno. Ao mesmo tempo, a maior disponibilidade de animais vivos e o avanço da oferta de carne suína ampliam a pressão sobre os preços, intensificando o cenário de desvalorização em diferentes regiões do país.
Férias escolares reduzem consumo e pressionam o mercado interno
O Cepea destaca que a sazonalidade típica das férias escolares costuma afetar o varejo e a recomposição de estoques ao longo da cadeia, com reflexos no atacado e nas negociações envolvendo o suíno vivo.
Com a demanda menor, compradores tendem a atuar com mais cautela, o que diminui a necessidade de aquisições imediatas e reduz a sustentação das cotações. Essa dinâmica contribui para um ajuste de preços mais rápido, especialmente em praças onde a oferta se mantém elevada.
Maior oferta de animais e carne intensifica a queda de preços
Além do lado da demanda, o Cepea aponta que a maior oferta tem sido determinante no recuo dos valores negociados. A disponibilidade mais ampla tanto de animais vivos quanto de carne suína aumenta a competitividade entre vendedores, favorecendo quedas nas cotações.
Com mais produto circulando e consumo doméstico menos aquecido, o resultado é um cenário de baixa generalizada, atingindo diferentes elos da cadeia suinícola e impactando diretamente o poder de barganha dos produtores em diversas regiões monitoradas.
No atacado, frigoríficos priorizam exportações para melhorar rentabilidade
No mercado atacadista de carne suína, o Cepea observa que, diante das quedas no mercado interno, frigoríficos intensificaram a estratégia de priorizar os envios externos, buscando maior rentabilidade em um cenário doméstico pressionado.
A movimentação indica uma tentativa de equilibrar margens e direcionar parte da produção a destinos com melhor remuneração, reduzindo a dependência das vendas internas em um período de consumo mais fraco.
Embarques seguem próximos da média de 2025, confirma Secex
O foco nas exportações foi confirmado pelo Cepea a partir de dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior). Conforme o levantamento, a média diária de embarques nesta parcial de janeiro se mantém próxima da observada ao longo de 2025, em 5,1 mil toneladas por dia.
A manutenção desse patamar evidencia que, mesmo com oscilações no mercado doméstico, o desempenho das exportações segue relevante para o setor, funcionando como canal importante de escoamento e sustentação da cadeia em momentos de maior pressão interna.
Tendência do mercado: atenção ao consumo e ao ritmo de oferta
O movimento atual reforça a importância de acompanhar de perto o comportamento do consumo nas próximas semanas, especialmente com o avanço do calendário escolar e a possibilidade de recomposição gradual da demanda.
Ao mesmo tempo, o equilíbrio entre oferta e demanda continuará determinando o rumo das cotações. Caso o excesso de disponibilidade persista, o mercado pode seguir pressionado, mesmo com a estabilidade observada nas exportações.











