
A investigação sobre a origem do surto de Peste Suína Africana (PSA) na Catalunha ganhou um novo capítulo científico que pode ilibar o centro de investigação local. Um estudo encomendado pelo governo catalão (Generalitat) ao Instituto de Pesquisa em Biomedicina (IRB) indica que o vírus encontrado nos javalis não corresponde geneticamente às estirpes manipuladas pelo laboratório vizinho IRTA-CReSA.
Após analisar 17 das 19 amostras do laboratório, os investigadores concluíram que as diferenças são demasiado significativas para estabelecer uma relação direta, enfraquecendo a tese de uma fuga acidental.
A sequenciação liderada pelo professor Toni Gabaldón revelou que a “variante catalã” possui uma impressão digital genética única. Trata-se de um vírus do Genótipo II, mas com 27 mutações específicas e uma deleção (perda) massiva de 10.000 “letras” no seu genoma.
Estas características não coincidem com nenhuma das 800 estirpes descritas na literatura científica internacional, sugerindo tratar-se de uma nova estirpe ou uma variante não documentada anteriormente. Curiosamente, o perfil genético tem mais semelhanças com casos isolados da Rússia, China e Tailândia do que com os vírus que circulam na Europa Ocidental.
Apesar dos fortes indícios, o caso não está encerrado. As autoridades aguardam a análise de duas amostras antigas (congeladas há 5 anos) e, principalmente, o parecer oficial do Laboratório Veterinário Central de Algete (referência nacional).
Enquanto a ciência procura a origem, o surto avança lentamente: já são 29 javalis infetados confirmados, todos encontrados dentro de um raio de 6 km do foco inicial em Cerdanyola del Vallès.
Referência: Pig Progress











