
A família Batista, controladora da JBS, ampliou sua presença no agronegócio com a aquisição da única mina de potássio em operação no Brasil, localizada em Taquari-Vassouras (SE). O negócio, realizado por meio da VL Mineração, filial da holding J&F, foi fechado por US$ 27 milhões (aproximadamente R$ 146 milhões).
A transação envolve um pagamento escalonado: US$ 12 milhões na assinatura, US$ 10 milhões no prazo de um ano e US$ 5 milhões distribuídos ao longo de seis anos, dependendo do desempenho do preço do cloreto de potássio. Além disso, a VL deverá arcar com cerca de US$ 22 milhões em obrigações ambientais e de desmobilização.
A mina, implantada nos anos 1980 pela estatal Petromisa (subsidiária da Petrobras) e posteriormente controlada pela Vale e depois pela Mosaic, produziu cerca de 398 mil toneladas de cloreto de potássio em 2024, mas enfrenta um processo gradual de exaustão.
A conclusão do negócio ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e de outras condições regulatórias, com expectativa de encerramento até o fim de 2025.
Impactos e contexto estratégico
O potássio é essencial para a agricultura, sendo um dos três macronutrientes mais importantes ao lado de nitrogênio e fósforo. O Brasil atualmente importa cerca de 90% ou mais de sua demanda, o que torna a produção nacional uma pauta estratégica.
A aquisição da mina por parte da família Batista reforça sua estratégia de diversificação. O grupo já atua no setor de fertilizantes organominerais por meio da Campo Forte Fertilizantes, em Guaiçara (SP), e tem investimentos importantes em mineração de ferro e siderurgia, incluindo participação na Usiminas.
Ao assumir o controle de um ativo estratégico como esse, o grupo visa fortalecer o abastecimento nacional de potássio, reduzir a vulnerabilidade externa do agronegócio brasileiro e potencialmente otimizar os custos operacionais do insumo vital ao setor.











