
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) realizou painéis de levantamento de custos de produção em diversas cadeias do agronegócio, incluindo grãos, cana-de-açúcar, pecuária de leite, fruticultura (uva) e silvicultura (pinus). Os encontros, que contaram com a participação de produtores rurais e representantes de entidades setoriais, ocorreram em São Paulo, Mato Grosso, Sergipe, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais, revelando um cenário de produtividades positivas, mas com rentabilidade comprometida pelos baixos preços das commodities.
Destaques em Mato Grosso
No estado do Mato Grosso, principal polo agrícola do país, os levantamentos de grãos apresentaram resultados variados por município:
- Sorriso: O milho segunda safra registrou uma média de 135 sacas por hectare. Um ponto de preocupação foi o aumento de 48% nos custos com inseticidas para a soja, devido à forte pressão de lagartas e percevejos.
- Sinop: A soja alcançou uma produtividade recorde de 70 sacas por hectare. Apesar do atraso inicial na semeadura, o plantio foi concluído rapidamente, e as condições climáticas favoráveis ao longo do ciclo, juntamente com a redução de anomalias fisiológicas, contribuíram para o excelente desempenho.
- Campo Novo do Parecis: A soja produziu 65 sacas por hectare, e o milho pipoca teve um desempenho recorde, com 85 sacas por hectare, mesmo com a redução da área plantada.
- Canarana: A soja rendeu 58 sacas por hectare e o milho, 100 sacas. O sorgo alcançou uma média de 70 sacas por hectare, enquanto o gergelim obteve cerca de 10 sacas.
- Querência: A soja teve uma média de 65 sacas por hectare, e o milho segunda safra, 120 sacas. O gergelim manteve a produtividade de 10 sacas, mas sua rentabilidade foi reduzida devido a quebra de contratos e queda nos preços.
- Primavera do Leste: A soja produziu 60 sacas por hectare, ficando abaixo da meta. Contudo, o milho segunda safra superou as expectativas nas primeiras colheitas, atingindo 125 sacas por hectare.
Desafios e Perspectivas
Apesar das boas produtividades registradas em diversas regiões, a análise geral da CNA indica que os baixos preços das commodities resultaram em retornos insuficientes para cobrir o custo total das culturas analisadas. Isso significa que o investimento dos produtores não foi adequadamente remunerado.
Caso esse cenário de baixa rentabilidade persista, a CNA alerta que a sustentabilidade econômica da atividade agrícola pode ser comprometida no médio e longo prazo. Essa situação limitaria a capacidade de reinvestimento dos produtores em suas propriedades, impactando, por exemplo, a renovação da frota de máquinas e a adoção de novas tecnologias essenciais para a modernização do setor.










