
O setor de suinocultura do Reino Unido definiu um novo e desafiador marco para a gestão sanitária: reduzir em mais 20% o uso de antibióticos nas granjas entre os anos de 2025 e 2028. A diretriz faz parte da terceira rodada de metas da RUMA Agriculture (Aliança para o Uso Responsável de Medicamentos na Agricultura), elaborada pelo Grupo de Trabalho de Metas 3 (TTF3). A decisão reflete a orientação da Diretoria de Medicamentos Veterinários (VMD) para que os objetivos sejam “inteligentes, porém ambiciosos”, mantendo o país na vanguarda do combate à resistência antimicrobiana (RAM).
Apesar de um leve aumento no uso registrado em 2024, o cenário de longo prazo é de sucesso consolidado. Desde 2015, a suinocultura britânica já reduziu o uso de antimicrobianos em 69%. A oscilação recente é atribuída a desafios sanitários pontuais, como o aumento de casos de disenteria suína e a adaptação do setor à proibição do uso de óxido de zinco na dieta de leitões desmamados. Mesmo com esses obstáculos, o consumo atual representa menos de um terço do volume praticado há uma década.
Estratégias de Ação e Foco nos “Grandes Usuários”
Para atingir a nova meta de 20%, o plano do TTF3 delineou estratégias específicas que vão além da redução volumétrica:
- Controle de Críticos: Manter o uso de antibióticos de Alta Prioridade e Importância Crítica (HP-CIA) abaixo de 0,1 mg/PCU.
- Gestão de Desvios: A iniciativa de monitoramento será ampliada para focar nos “usuários persistentemente elevados”. A medida, que antes mirava os 5% maiores usuários de antibióticos, passará a abranger os 10% do topo da lista, oferecendo suporte técnico direcionado.
- Via de Administração: Acelerar a transição da medicação via ração para a administração via água, permitindo um controle mais preciso e ágil dos tratamentos.
Além disso, a tecnologia será uma aliada central. A AHDB Pork investiu na aquisição de contas da ferramenta BioCheck para clínicas veterinárias, visando engajar produtores na mensuração ativa da biosseguridade. Dados de inspeção de matadouros (CCIR) também serão utilizados para identificar granjas com índices anormais de condenação de carcaças, disparando investigações veterinárias preventivas.
A Ministra do Meio Ambiente e Assuntos Rurais, Baronesa Hayman, reforçou que a resistência antimicrobiana é um desafio de “Saúde Única” (One Health), exigindo ação coordenada. Cat McLaughlin, presidente da RUMA, destacou que, embora alguns setores já tenham atingido níveis sustentáveis de uso, o compromisso contínuo é vital para garantir a eficácia dos medicamentos quando eles forem realmente necessários para o bem-estar animal.
Referência: Pig World












